Besxar quer fabricar semicondutores no vácuo do espaço com a SpaceX
Startup fundada por ex-funcionária da OpenAI já testou pequenas cápsulas de fabricação em órbita e fechou acordo de 12 missões com a SpaceX. A promessa de chips mais limpos ainda depende de escala.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Imagine encolher uma sala limpa de fábrica de chips — normalmente um ambiente do tamanho de um galpão, com filtros de ar caríssimos para barrar poeira — até caber dentro de uma cápsula que voa presa a um foguete reaproveitável. É essa a aposta da Besxar, startup americana que quer transformar o vácuo do espaço na sala limpa mais barata do sistema solar.
O que é a Besxar
A Besxar é uma startup que fabrica precursores de semicondutores avançados aproveitando o vácuo natural do espaço, evitando parte do custo e da complexidade das salas limpas terrestres. A empresa foi fundada por Ashley Pilipiszyn, ex-funcionária da OpenAI, segundo reportagem do TechCrunch publicada nesta terça-feira (9). A ideia central: contêineres pequenos, batizados de "fabships", carregam materiais semicondutores até a órbita, onde o vácuo espacial ofereceria condições mais limpas do que qualquer fábrica na Terra — e depois retornam com o material processado.
O que já é fato
Segundo o TechCrunch, dois fabships da Besxar já voaram de verdade, integrados a uma missão Starlink em julho. A empresa fechou um acordo com a SpaceX para prototipar a fábrica orbital ao longo de uma dúzia de voos, aproveitando o booster do Falcon 9 — o mesmo que, segundo o texto, somou 163 viagens de ida e volta apenas no ano anterior. No financiamento, a Besxar captou quase US$ 14 milhões, incluindo uma rodada seed de US$ 9 milhões liderada pela Dauntless Ventures e pela Overture VC.
O que ainda é promessa
Aqui é onde a startup ainda precisa provar: a empresa diz que pretende iterar nos próximos dois anos e, no horizonte mais distante, voar fábricas maiores a bordo do Starship, o foguete de próxima geração da SpaceX ainda em desenvolvimento. Ou seja, o salto de duas cápsulas-teste para uma "fábrica orbital" de fato ainda não aconteceu — é a aposta de longo prazo da fundadora, não um resultado comprovado. A Besxar também não está sozinha: outras empresas de olho em manufatura de semicondutores no espaço, como Space Forge e United Semiconductors, sinalizam que a ideia está circulando entre investidores, mas ainda sem vencedor claro.
Por que importa
Se a lógica se confirmar em escala, a manufatura orbital poderia reduzir defeitos em certos materiais semicondutores sem replicar o custo bilionário de uma fábrica terrestre de chips de ponta. Por ora, o que existe são duas cápsulas testadas, um contrato de doze lançamentos e uma tese ainda por comprovar fora do papel.