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Ciência06 de nov. de 2026, 07:45

Betelgeuse volta a escurecer e intriga astrônomos de novo

A supergigante vermelha de Órion está perdendo brilho desde agosto, repetindo o enigma que já intrigou cientistas durante o Grande Escurecimento de 2019. Os registros são confirmados, mas a causa exata ainda divide hipóteses.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: um sol dá 14 mil voltas nela

Pra ter uma ideia do tamanho do fenômeno, Betelgeuse é uma supergigante vermelha tão grande que, em seus picos de contração, chega a brilhar como 14 mil sóis somados. Ela está a cerca de 650 anos-luz da Terra, na constelação de Órion, e é uma das estrelas mais brilhantes visíveis a olho nu no céu noturno. Agora essa gigante voltou a chamar atenção: desde agosto, sua magnitude caiu de +0,5 para 0,95, ou seja, ficou visivelmente mais fraca aos olhos de quem observa o céu.

O que é fato confirmado

Foto: reprodução/sci.news

Alguns pontos já são bem estabelecidos pelos astrônomos e não dependem de interpretação. A variabilidade de brilho de Betelgeuse é documentada desde 1836, então oscilar não é novidade para essa estrela. Ela também tem um ciclo de pulsação regular, de aproximadamente 430 dias, que explica parte das variações observadas ao longo do tempo. Outro dado consolidado é a existência de uma estrela companheira, catalogada como Alpha Ori B, que orbita dentro da atmosfera estendida de Betelgeuse — uma descoberta que ajudou a explicar um período de variação mais longo e enigmático que os astrônomos já perseguiam havia décadas.

Para acompanhar o comportamento atual da estrela, astrônomos combinaram observações do Telescópio Espacial Hubble com as do Very Large Telescope (VLT), um conjunto de telescópios do Observatório Europeu do Sul (ESO) instalado no deserto do Atacama, no Chile, feitas no início de 2026.

Foto: reprodução/science.nasa.gov

O que ainda é hipótese

O que os cientistas ainda não conseguiram fechar é a causa exata desse novo episódio de escurecimento. Como Betelgeuse já passou por um processo parecido — e muito mais intenso — durante o chamado Grande Escurecimento de 2019 e 2020, quando a estrela chegou a perder brilho de forma tão dramática que chegou a se especular sobre uma explosão em supernova, a hipótese mais discutida hoje é a de que o fenômeno atual siga um padrão semelhante, ligado a ejeções de poeira da própria estrela e a possíveis interações gravitacionais com sua companheira. Mas a correlação exata entre o novo ciclo e esses mecanismos ainda está sendo investigada, e os astrônomos evitam afirmar com certeza que se trata de uma repetição do mesmo processo.

Por que isso importa

Betelgeuse é uma estrela em estágio avançado de vida, destinada a explodir como supernova em algum momento — que pode ser daqui a mil anos ou amanhã, do ponto de vista astronômico. Por isso, cada episódio de variação de brilho vira motivo de atenção redobrada: pode ser apenas mais um ciclo natural de pulsação, ou um sinal de que a estrela está passando por mudanças mais profundas em sua estrutura interna. Até o momento, o consenso é que ainda não há evidência de que algo excepcional esteja prestes a acontecer — só mais um capítulo de uma estrela que não para de intrigar quem olha pra ela há quase dois séculos.

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