
BGS 2026 x BGS 2016: a maior feira de games da América Latina encolheu
A 15ª edição da Brasil Game Show terminou na segunda-feira (12) deixando um gosto amargo: menos marcas, estandes vazios e uma praça de alimentação enorme no lugar dos antigos espaços da PlayStation e Xbox. Dez anos depois da 7ª edição, comparamos o que mudou.
Por Théo Ramos · Repórter de Games
A 15ª edição da Brasil Game Show (BGS) terminou na última segunda-feira (12) e, se você passou pelo Distrito Anhembi entre os dias 9 e 12 de outubro, provavelmente sentiu o mesmo que eu: um gostinho amargo. A BGS é, há anos, vendida como a maior feira de games da América Latina — o tipo de evento que todo fã de console, PC ou mobile marca no calendário. Só que, andando pelos corredores desta edição, dava para notar espaços vazios, estandes menores e uma sensação geral de que a festa encolheu.
O que mudou desde 2016
Dez anos atrás, na 7ª edição, a BGS ainda estreava no São Paulo Expo, perto do Jabaquara, com estandes de peso como PlayStation, Xbox, Capcom, Ubisoft, EA, Warner Games, Razer e Supercell. Esse time de primeira linha era parte do motivo pelo qual a feira virava assunto nacional. Em 2026, boa parte desses nomes simplesmente não apareceu: PlayStation, Xbox, Razer, Nvidia, AMD, Logitech G, Samsung e TCL ficaram de fora. Sony, Microsoft, HoYoverse e até plataformas como YouTube, Twitch e TikTok também não marcaram presença forte neste ano. Para quem frequenta o evento desde aquela época, é uma queda e tanto de patamar.
Foto: reprodução/braining.com.br
Onde faltou, e onde sobrou
A sensação de vazio não veio só da ausência das gigantes. Visitantes relataram espaços ociosos pelo pavilhão e uma praça de alimentação que, na prática, ocupou uma fatia desproporcional da metragem disponível — justamente a área que antes abrigava estandes grandes. Do lado positivo, a Square Enix trouxe o Final Fantasy VII: Revelation em apenas seis estações, o que gerou filas de até duas horas para quem queria testar o jogo. Pouca oferta, muita demanda: um resumo exato do problema da feira este ano.
Por que isso está acontecendo
Não existe um único vilão aqui. A reportagem do Canaltech aponta o sumiço de players importantes, problemas de organização geral e falta de atrações voltadas ao público gamer como os principais calcanhares de Aquiles da BGS atual. Some a isso fatores externos: a Pichau Arena 2026 aconteceu no mesmo período e levou embora empresas como Nvidia, AMD e Intel, enquanto a final do CBLOL também caiu no mesmo fim de semana, dividindo a atenção do público e da imprensa especializada. Também pesa a preferência crescente da indústria por eventos digitais, como o The Game Awards, que entregam alcance global sem o custo de montar um estande físico gigante — e falando em custo, o aumento nos preços de produção e marketing tem afastado marcas que antes topavam o investimento.
O que isso sinaliza para o mercado brasileiro
Se você é fã e visitante de longa data, como eu, o recado é incômodo: a BGS perdeu força de atração justamente com quem sempre foi o motivo de ir lá, as grandes publishers e fabricantes de hardware. O contrato da feira com o Distrito Anhembi pode não se estender além de 2027, o que torna ainda mais urgente repensar o formato. A BGS não vai desaparecer da noite para o dia, mas o tamanho do evento em 2026 é um termômetro de como a relação entre indústria, marcas e público mudou nesses dez anos — e de que o público não está mais disposto a fingir que não notou.
Atualização (18/10, 15:40): Uma nova reportagem do Canaltech, publicada após a cobertura da BGS 2026, detalha o que estava por trás do encolhimento do evento: a ausência de estandes próprios de grandes marcas da indústria, como PlayStation, Xbox, Ubisoft, AMD e Logitech. A NVIDIA, segundo o texto, optou deliberadamente por não montar presença na feira para concentrar os holofotes em um evento próprio nos Estados Unidos, dedicado ao lançamento dos notebooks com chips RTX Spark — já que, segundo a lógica da empresa, estar nos dois lugares ao mesmo tempo significaria "dividir a atenção".
Em contrapartida, a edição 2026 apostou fortemente em influenciadores digitais: mais de 100 criadores de conteúdo e personalidades da internet foram confirmados no evento, e marcas fora do universo dos games — como Sadia, Bauducco e uma loja de panelas — passaram a ocupar espaço na feira, substituindo publishers e fabricantes de hardware tradicionais. Executivos de empresas presentes, como Mariana Diniz (VISA) e Miah Campos (Team Liquid), defenderam que a BGS segue relevante como ponte entre o engajamento digital dos fãs e experiências presenciais, mas o relato também aponta queixas de público com filas, agendamentos problemáticos e redução de atividades e brindes.
O artigo não traz números oficiais de público ou de expositores para 2026, nem qualquer posicionamento da organização da Brasil Game Show sobre os motivos das mudanças — mas cita a gamescom latam, que caminha para sua terceira edição em 2027, como alternativa que tem ganhado espaço no calendário de eventos de games do país.