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MercadoIA06 de nov. de 2026, 07:45

Big techs batem recorde de US$ 720 bi em gastos com IA sem data de retorno

Amazon, Microsoft, Alphabet e Meta confirmaram nos balanços do terceiro trimestre que vão manter — e em alguns casos acelerar — os investimentos recordes em data centers de inteligência artificial, mesmo sem apresentar prazos claros de retorno aos investidores.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 720 bilhões é o número que trava a conta

Amazon, Microsoft, Alphabet e Meta confirmaram, nos balanços do terceiro trimestre divulgados no final de outubro, que vão gastar juntas pelo menos US$ 720 bilhões em despesas de capital este ano — a maior parte em data centers de inteligência artificial. O montante já supera o PIB de países como a Suíça, e nenhuma das quatro empresas apresentou um cronograma concreto de quando esse dinheiro vai virar lucro.

Quem gasta quanto

A Amazon elevou sua previsão anual para cerca de US$ 220 bilhões, com o CEO Andy Jassy chamando o momento de "oportunidade única numa geração" para transformar a empresa num negócio de US$ 1 trilhão. A Alphabet, controladora do Google, projeta entre US$ 195 bilhões e US$ 205 bilhões, após registrar US$ 51,4 bilhões em capex só no terceiro trimestre — o maior volume trimestral da história da empresa. A Microsoft deve fechar o ano calendário em torno de US$ 170 bilhões, tendo gastado US$ 45,2 bilhões entre julho e setembro, a maior parte em hardware de computação de vida mais curta. A Meta elevou o piso da sua projeção anual para US$ 135 a 145 bilhões, depois de US$ 34,9 bilhões investidos no trimestre.

A pergunta que ninguém responde com números

Executivos das quatro companhias repetiram o mesmo roteiro: confiança verbal, sem métricas. A CFO da Microsoft, Amy Hood, disse que "a demanda ainda supera a oferta" e que cada dólar de capex tem potencial de gerar mais receita no futuro. A diretora financeira da Alphabet, Anat Ashkenazi, falou em retorno sobre capital investido "significativamente acima do custo de capital", sem detalhar prazos. O CEO da Amazon, Andy Jassy, afirmou que o retorno da empresa está "melhorando rapidamente", mas deixou de repetir a garantia anterior de payback em menos de três anos. Na Meta, a executiva Susan Li projetou receita relevante de IA só a partir de 2027.

Quem ganha e quem sente o aperto

No curto prazo, quem ganha é a cadeia de fornecedores de chips, energia e infraestrutura — e as próprias nuvens, que registraram crescimento robusto: a receita da AWS subiu 39% no trimestre, a da Google Cloud mais que dobrou em um ano, e o faturamento de anúncios da Meta segue em alta. Quem sente o aperto é o caixa: a Alphabet reportou fluxo de caixa livre negativo de cerca de US$ 9 bilhões no trimestre, e a Meta também entrou no vermelho nesse indicador. Para o investidor, o recado das quatro empresas foi uníssono: o ritmo de gastos não vai diminuir em 2027 — ao contrário, tende a crescer —, e a aposta é que o mercado continue financiando a espera por um retorno que, por ora, existe apenas em discurso.

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