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Mercado09 de out. de 2026, 10:54

Big techs buscam US$ 90 bi em financiamento bilionário para comprar chips de IA

Broadcom tenta levantar mais de US$ 50 bilhões e a SpaceX negocia outros US$ 40 bilhões com fundos como Apollo, Blackstone e Goldman Sachs para pagar a conta dos chips de IA. A Oracle também busca crédito privado para fechar o intervalo entre comprar hardware e faturar com nuvem.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa: mais de US$ 90 bilhões em busca de crédito

A Broadcom, fabricante americana de chips usados em data centers, está articulando um financiamento de mais de US$ 50 bilhões (cerca de R$ 265 bilhões) para bancar os chips de IA personalizados que desenvolve com a OpenAI. No mesmo movimento, a SpaceX, empresa espacial de Elon Musk, negocia outros US$ 40 bilhões (R$ 212 bilhões) para comprar chips da Nvidia. Somadas, as duas operações já superam os US$ 90 bilhões — e ainda há uma terceira ponta na mesa.

Quem está emprestando e por quê

Nos dois casos, os nomes que aparecem do outro lado da mesa são gestoras de crédito privado: Apollo e Blackstone negociam com a Broadcom, enquanto a SpaceX trata diretamente com credores ainda não detalhados publicamente. A Oracle, gigante de software e banco de dados corporativo, também está na fila, buscando recursos com a Apollo e o Goldman Sachs — aqui o objetivo declarado é cobrir o intervalo entre o pagamento do hardware e a entrada da receita gerada pelos serviços de nuvem. A companhia pretende fechar esse acordo ainda em 2026.

O múltiplo que explica a pressa

O pano de fundo é a parceria entre Broadcom e OpenAI para fornecer dez gigawatts de chips personalizados — batizados de "Jalapeño", na primeira geração, e "Serrano", na segunda —, com implantação prevista para começar no segundo semestre de 2026 e seguir até o fim de 2029. Para dar a régua do tamanho do cheque: segundo a reportagem, equipar um único data center de um gigawatt pode custar dezenas de bilhões de dólares. Em outras palavras, a conta de infraestrutura de IA está correndo mais rápido do que a geração de caixa dessas empresas — e é isso que empurra todas elas para fora dos mercados tradicionais de dívida, em busca de crédito privado sob medida.

Quem ganha e quem fica exposto

No curto prazo, quem ganha são os fundos de crédito privado — Apollo, Blackstone e Goldman Sachs se posicionam no centro financeiro do próximo ciclo de gastos com IA, cobrando prêmios por estruturas sob medida, inclusive fora do balanço, como no caso em estudo pela Oracle. Quem fica exposto é o próprio setor: a migração da dívida pública para acordos privados bilionários sinaliza que o apetite dos mercados tradicionais já não acompanha o ritmo do investimento em chips e capacidade computacional — e qualquer tropeço na monetização desses projetos recai primeiro sobre essas credoras concentradas.

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