
Big techs pagam US$ 92 milhões pelo salão de festas de Trump
Nvidia e Apple lideram com US$ 25 milhões cada em doações para a reforma da Casa Branca, segundo o Washington Post. A conta de seis gigantes de tecnologia soma US$ 92 milhões dentro de um total de US$ 333 milhões arrecadados com doadores privados.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa: US$ 92 milhões
Nvidia, Apple, Google, Microsoft, Amazon e Meta doaram juntas US$ 92 milhões para a construção do salão de festas ("ballroom") que Donald Trump está erguendo na Casa Branca, segundo reportagem do Washington Post citada pelo The Verge. O valor é só uma fatia de um total de US$ 333 milhões arrecadados com doadores privados para a obra, parte dela mantida em sigilo até o vazamento dos registros.
Quem pagou quanto
A lista obtida pelo WaPo detalha contribuições desiguais. Nvidia e Apple entraram com US$ 25 milhões cada, o maior cheque entre as seis. Google aparece com US$ 22 milhões — valor que, segundo a reportagem, saiu do acordo de US$ 24,5 milhões que a empresa fechou com Trump para encerrar um processo sobre a suspensão de sua conta no YouTube após o 6 de janeiro de 2021. Microsoft contribuiu com US$ 10 milhões, enquanto Amazon e Meta entraram com US$ 5 milhões cada — o mesmo valor doado pela operadora T-Mobile, que também consta na lista de doadores de tecnologia.
Do total de US$ 333 milhões arrecadados, cerca de US$ 77 milhões vieram de doadores que pediram para não ser identificados, e aproximadamente metade do montante global partiu de empresas ou executivos com contratos federais vigentes durante o segundo mandato de Trump.
Múltiplo pequeno, aposta política grande
Em termos de caixa, US$ 25 milhões é troco para empresas que somam trilhões em valor de mercado — a Nvidia sozinha vale mais de US$ 4 trilhões em bolsa. O cálculo aqui não é de retorno financeiro direto, mas de proximidade política: aparecer na lista de doadores do projeto pessoal de Trump funciona como moeda de acesso a um governo que regula fusões, tarifas, contratos federais e políticas de IA que afetam diretamente essas mesmas companhias.
Quem ganha e quem perde
O lado que ganha é claro: a Casa Branca financia uma reforma sem custo ao contribuinte e testa a disposição do setor de tecnologia em sinalizar lealdade. Do outro lado, a exposição pública da lista de doadores reacende o debate sobre conflito de interesse: críticos apontam que empresas com processos, acordos regulatórios ou contratos bilionários com o governo federal — caso do próprio Google — têm incentivo direto para comprar boa vontade política.
A Casa Branca, pelo porta-voz Davis Ingle, prometeu perseguir implacavelmente quem vazou os documentos e defendeu as doações como alternativa a gastar dinheiro público na reforma. Para o mercado, o episódio reforça um padrão já visível em 2025 e 2026: diante de um governo disposto a usar alavancas regulatórias contra rivais, Big Tech prefere pagar o pedágio político a testar a paciência da Casa Branca.