
Bill Gates alerta para aumento de ciberataques com uso de IA sem controle
Em entrevista à ABC News, Bill Gates disse que o uso malicioso de IA sem salvaguardas deve provocar um salto nos ciberataques no próximo ano, e defendeu que a autorregulação das empresas não é suficiente.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
Bill Gates afirmou, em entrevista à ABC News, que o risco mais imediato ligado à inteligência artificial não é a tecnologia "sair do controle", mas sim o uso malicioso por criminosos que removem as salvaguardas dos sistemas. Segundo ele, "a frente onde provavelmente veremos isso de forma mais dramática no próximo ano são os ciberataques".
Gates foi direto ao apontar a combinação que mais o preocupa: "quando você tem gente má, sem salvaguardas, e os modelos mais recentes, é aí que vamos ter muitas surpresas negativas", disse, referindo-se principalmente à área cibernética. Ele também criticou o modelo atual de governança da IA, no qual as próprias empresas definem seus limites de segurança: "a ideia de que, para a tecnologia mais perigosa que os humanos já inventaram, a palavra final seja só das próprias empresas como único mecanismo de controle que a sociedade tem... está claro que não estamos fazendo o suficiente".
O executivo defendeu a criação de mais restrições para impedir que atores mal-intencionados usem IA tanto para ciberataques quanto para bioterrorismo.
Quem é afetado
O alerta tem alcance amplo: empresas de todos os portes, órgãos públicos e usuários comuns podem ser alvo de ataques mais sofisticados, já que ferramentas de IA sem restrições facilitam a criação de golpes, malwares e campanhas de engenharia social mais convincentes. Quanto mais acessíveis forem modelos sem camadas de segurança, maior a janela de exploração por criminosos — um cenário que, segundo Gates, deve se intensificar já no próximo ano.
O que fazer agora
Enquanto a discussão sobre regulação avança, especialistas em segurança digital recomendam que pessoas e empresas reforcem práticas básicas de proteção:
- Manter sistemas operacionais, antivírus e aplicativos sempre atualizados, já que falhas não corrigidas são a porta de entrada mais comum para ataques automatizados;
- Ativar autenticação em dois fatores em e-mail, bancos e redes sociais, dificultando o acesso mesmo se uma senha for roubada;
- Desconfiar de mensagens, e-mails e ligações muito convincentes, inclusive de vozes ou vídeos que pareçam legítimos — a IA generativa já é usada para criar fraudes mais realistas;
- Evitar clicar em links recebidos por canais não verificados e confirmar solicitações financeiras por outro meio de contato antes de agir;
- Fazer backups regulares de arquivos importantes, reduzindo o impacto de eventuais ataques de ransomware;
- Acompanhar alertas de órgãos de segurança e fabricantes de software sobre vulnerabilidades e golpes em alta.
A fala de Gates reforça um ponto que especialistas em cibersegurança já vêm repetindo: a tecnologia evolui rápido, mas os cuidados básicos de higiene digital continuam sendo a primeira linha de defesa contra golpes cada vez mais sofisticados.