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IA05 de out. de 2026, 09:51

Bill Gates diz que IA pode causar 1 bilhão de mortes e cobra regras

Em entrevista à NBC, o cofundador da Microsoft defendeu que governos criem, por lei, regras obrigatórias de monitoramento para empresas de inteligência artificial.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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O alerta

Bill Gates, cofundador da Microsoft, disse ao programa Meet the Press, da NBC, no último fim de semana, que a inteligência artificial "certamente é poderosa o suficiente para desencadear eventos que causem 1 bilhão de mortes". Na mesma entrevista, ele foi além: "nunca houve uma arma tão poderosa quanto a combinação de pessoas com más intenções usando as ferramentas de IA mais avançadas."

Em bom português: para Gates, o risco não está na IA sozinha, mas em quem vai usá-la para causar dano — de ataques a redes elétricas e hospitais a fraudes financeiras em massa.

O que ele está pedindo

Gates defende que o governo dos Estados Unidos aprove, "absolutamente", uma legislação federal com salvaguardas e mecanismos de monitoramento para empresas de IA. O ponto central do argumento é que a definição dessas regras não pode ficar só na boa vontade das companhias — precisa envolver política e fiscalização, como em qualquer outro setor de risco.

É a mesma lógica usada para regular bancos ou laboratórios farmacêuticos: ninguém deixa essas indústrias decidirem, por conta própria, quais testes de segurança são suficientes.

Os dois lados

Gates reconhece que regras obrigatórias podem elevar os custos do setor de IA, mas defende que isso não deve servir de desculpa para desacelerar "drasticamente" os avanços da tecnologia. É uma posição de meio-termo: nem a autorregulação que as próprias empresas de IA defendem, nem um freio total no desenvolvimento.

Do outro lado dessa disputa estão empresas e parte do governo americano que preferem avançar rápido e tratar a regulação como obstáculo à competitividade dos EUA frente à China.

O que falta responder

Gates não detalhou qual desenho institucional teria esse monitoramento — se seria uma nova agência federal, algo dentro de órgãos já existentes, ou um modelo internacional. Também não ficou claro se ele defende regras específicas para cada risco citado (ciberataques, fraudes, desinformação) ou um arcabouço único para todos eles.

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