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IA23 de out. de 2026, 09:37

Bill Gates prevê 20 anos de disrupção "tumultuada" com a IA

Em entrevista ao podcast Decoder, do The Verge, o cofundador da Microsoft diz que mesmo no melhor cenário de gestão da tecnologia o mundo enfrentará duas décadas de turbulência. A fala retoma o ensaio que publicou em agosto sobre a "era turbulenta" da IA.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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O aviso de Bill Gates sobre a próxima década e meia

Bill Gates voltou a soar o alarme sobre o impacto da inteligência artificial na sociedade. Em entrevista ao podcast Decoder, do The Verge, conduzida por Nilay Patel e publicada nesta quinta-feira, o cofundador da Microsoft afirmou que "mesmo no melhor cenário possível de como administramos a IA, este vai ser um período tão tumultuado quanto qualquer outro na história da humanidade". Segundo ele, o mundo deve se preparar para cerca de 20 anos de disrupção enquanto a IA assume parcelas crescentes do trabalho humano — e alertou que parte das pessoas pode simplesmente optar por "sair do jogo", recusando-se a acompanhar a mudança.

A declaração é uma extensão do ensaio que Gates publicou em agosto em seu site pessoal, o Gatesnotes, intitulado "The turbulent AI era is here. The choices we make now are critical" (em bom português, algo como "a era turbulenta da IA chegou, e as escolhas que fazemos agora são decisivas"). No texto, ele argumenta que o mundo está entrando de cabeça numa fase de disrupção profunda sem o devido preparo — resumindo a situação com a frase de que não existe "nem um plano para ter um plano".

Foto: reprodução/technologyreview.com

A promessa e o risco, lado a lado

Do lado das promessas, Gates mantém o otimismo de longa data em relação à IA como ferramenta capaz de acelerar diagnósticos médicos, personalizar a educação e aumentar a produtividade em setores inteiros. Mas, do lado dos riscos, ele é taxativo: já chamou a IA de "a coisa mais perigosa que os humanos já se aproximaram", dizendo que ela "faz as armas nucleares parecerem brincadeira de criança". É como comparar um fósforo a um incêndio florestal: a chama inicial pode parecer controlável, mas o potencial de se espalhar além da capacidade de controle é a parte que preocupa.

Na entrevista ao Decoder, Gates citou as três grandes empresas que nasceram com a missão declarada de construir inteligência artificial geral (AGI) — a OpenAI, a DeepMind (do Google) e a Anthropic, rival fundada por ex-pesquisadores que deixaram a própria OpenAI por discordâncias sobre segurança. Para ele, todas começaram com ideais elevados, mas a corrida comercial entre elas acendeu um sinal de alerta.

Política pública não acompanha o ritmo

Gates não poupou críticas à resposta política atual. Disse estar "estarrecido com a falta de preocupação e debate fora da própria indústria" e defende a criação de novas instituições nacionais para coordenar políticas de IA em áreas como segurança nacional, emprego, educação, tributação e saúde — além de um organismo internacional com poderes de fiscalização comparáveis aos usados para inspeções nucleares e regulação da aviação civil. Entre as propostas concretas, está até a ideia de reservar certas vagas de trabalho exclusivamente para humanos e taxar o uso de IA e robôs.

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