
Binance: Coreia do Norte nega envolvimento em roubo de US$ 6 bi apontado pelo FBI
Kim Yo Jong, irmã do líder norte-coreano, chamou de 'provocação' a acusação do FBI de que hackers do regime roubaram mais de US$ 6 bilhões em criptomoedas da Binance.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
O FBI (polícia federal dos Estados Unidos) atribuiu à Coreia do Norte o maior roubo de criptomoedas já registrado: mais de US$ 6 bilhões (cerca de R$ 32,5 bilhões) desviados da Binance, uma das maiores corretoras de criptomoedas do mundo. Segundo a agência americana, o ataque foi executado por um grupo de hackers estatais conhecido como TraderTraitor, que teria convertido parte dos ativos roubados em Ethereum como forma de dificultar o rastreamento e lavar o dinheiro.
A resposta de Pyongyang veio por meio da KCNA, agência de notícias estatal norte-coreana, em declaração atribuída a Kim Yo Jong, irmã do líder Kim Jong Un e responsável por assuntos de política externa do regime. Ela classificou a acusação do FBI como "retórica absurda" e "provocação política", afirmando que os EUA tentam atribuir ao governo norte-coreano crimes cibernéticos cometidos em diferentes partes do mundo. Kim Yo Jong também disse que o país tem "questões a reconsiderar" diante do que chamou de postura hostil americana.
Foto: reprodução/nbcnews.com
Apesar da negativa oficial, a Binance já havia reposto a maior parte dos fundos desviados com recursos próprios, e autoridades americanas, com apoio de empresas como Tether, Circle e Ripple, conseguiram congelar bilhões de dólares em ativos ligados ao ataque.
Quem é afetado
Usuários da Binance tiveram fundos impactados diretamente pela invasão, embora a exchange tenha coberto as perdas para evitar prejuízo aos clientes. De forma mais ampla, o episódio afeta a confiança no mercado de criptomoedas como um todo, já que reforça o histórico de ataques estatais norte-coreanos a exchanges para financiar programas de armamento do regime, segundo especialistas em segurança cibernética.
O que fazer agora
Para quem usa exchanges de criptomoedas, o caso é um lembrete de cuidados básicos de segurança:
- Ative a autenticação em dois fatores (2FA) em todas as contas de exchanges, preferindo aplicativos autenticadores a SMS;
- Evite deixar grandes quantias em carteiras de corretoras (hot wallets) por longos períodos; carteiras frias (offline) oferecem mais proteção;
- Fique atento a comunicados oficiais da exchange sobre incidentes e siga as orientações de segurança recomendadas;
- Desconfie de mensagens pedindo para "confirmar" saques ou dados da conta após notícias de ataques — é um gancho comum para golpes de phishing;
- Diversifique onde guarda seus ativos digitais, evitando concentrar tudo em uma única plataforma.