
Binance suspende saques após suspeita de roubo de bilhões em cripto
A Binance, maior exchange de criptomoedas do mundo, pausou retiradas em várias redes depois que cerca de US$ 3,3 bilhões saíram de suas carteiras digitais numa quinta-feira suspeita. A empresa diz que os fundos dos usuários estão seguros.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
A Binance, maior exchange de criptomoedas do mundo, suspendeu temporariamente os saques em múltiplas redes na quinta-feira, 29 de outubro, depois de detectar uma movimentação suspeita de fundos em suas carteiras digitais de uso corrente (as chamadas hot wallets). Rastreadores que acompanharam a movimentação em seis blockchains diferentes estimam que até US$ 3,3 bilhões a US$ 3,5 bilhões saíram de duas carteiras da Binance baseadas em Ethereum entre 20h24 e 21h04 (horário de Brasília), em um possível recorde de roubo em uma única exchange.
As emissoras de stablecoins Tether e Circle já congelaram, juntas, cerca de US$ 1,8 bilhão em tokens relacionados ao incidente, numa tentativa de impedir que os recursos sejam convertidos e retirados pelos responsáveis pelo ataque.
A Binance confirmou o incidente de segurança e afirmou publicamente que os fundos dos usuários estão completamente seguros, dizendo que suas equipes de segurança estão investigando com urgência. Changpeng Zhao, cofundador da exchange, afirmou que o episódio parece mesmo ser um hack e que espera que as perdas sejam cobertas pela empresa.
Quem é afetado
- Usuários da Binance que tentam sacar criptomoedas em redes afetadas, que ficam temporariamente impedidos de retirar fundos;
- Até o momento, a Binance não informou prazo para o retorno normal dos saques;
- Não se sabe ainda quem está por trás do ataque, e a exchange não confirmou se recebeu qualquer contato dos responsáveis.
O que fazer agora
- Não é preciso tentar sacar às pressas: a Binance garante que os saldos dos usuários não foram afetados e serão preservados;
- Fique atento a canais oficiais da Binance para atualizações sobre quando os saques serão retomados;
- Desconfie de mensagens, e-mails ou links que peçam dados de login ou códigos de autenticação sob pretexto de liberar saques durante a pausa, é um cenário clássico para golpes de phishing;
- Não clique em links não oficiais nem compartilhe informações da conta com terceiros, mesmo que se apresentem como suporte da exchange;
- Acompanhe o status da conta apenas pelo aplicativo ou site oficial da Binance.
Atualização (30/10, 09:42): O valor do ataque hacker que levou a Binance, uma das maiores corretoras de criptomoedas do mundo, a suspender saques foi confirmado: US$ 6,3 bilhões foram roubados, no que especialistas classificam como o maior ataque hacker da história das criptomoedas, superando o roubo de US$ 1,5 bilhão sofrido pela exchange Bybit em fevereiro de 2025. Segundo investigação preliminar da própria Binance, o ataque começou a partir do computador comprometido de um engenheiro da empresa, permitindo que os invasores acessassem um serviço interno e realizassem transferências não autorizadas em carteiras de 10 blockchains diferentes, em uma movimentação que durou cerca de 20 minutos.
A notícia do roubo repercutiu no mercado cripto: o Bitcoin recuou mais de 3%, chegando a uma mínima de seis semanas em torno de US$ 76.368, enquanto o Ether também caiu mais de 3%, para cerca de US$ 2.178. Ações de empresas ligadas ao setor, como Coinbase e Strategy, também registraram quedas. Do total roubado, cerca de US$ 3 bilhões já foram localizados e congelados por diferentes agentes do ecossistema cripto, incluindo quase US$ 1,57 bilhão bloqueado pela Tether e mais de US$ 800 milhões pela Circle, emissoras das stablecoins USDT e USDC.
A Binance afirmou que vai cobrir todas as perdas do ataque e que os fundos dos usuários estão seguros, enquanto a suspeita inicial recai sobre um grupo de hackers ligado à Coreia do Norte, segundo apontado por empresas de segurança que acompanham o caso.
Atualização (30/10, 12:54): Atualização: o valor do roubo foi confirmado em US$ 6,3 bilhões, o maior já registrado em criptomoedas. A Binance prometeu cobrir integralmente o prejuízo com recursos próprios e o fundo SAFU (Secure Asset Fund for Users), segundo declarações do CEO Richard Teng e do fundador Changpeng Zhao.
Firmas de rastreamento de blockchain como TRM Labs, Elliptic e Chainalysis atribuem o ataque, "com alto grau de confiança", ao grupo TraderTraitor, ligado ao Lazarus Group/APT38 da Coreia do Norte — ainda uma suspeita forte, não confirmação oficial de governo. O mecanismo do ataque foi o notebook comprometido de um engenheiro de DevOps da Binance, que deu acesso a um container de serviço e permitiu transações de saque não autorizadas, sem quebra de chaves privadas. O roubo ocorreu em 29 de outubro, com a maior parte executada em cerca de 20 minutos a partir das 20h05 UTC. Parceiros da indústria já congelaram entre US$ 2,7 bilhões e US$ 3 bilhões dos valores desviados.
Atualização (30/10, 15:59): Atualização (30/10): A Binance confirmou que o ataque cibernético de quinta-feira (29/10) resultou no roubo de US$ 6,3 bilhões (R$ 34 bilhões), consolidando o caso como o maior roubo da história do setor de criptomoedas — superando o próprio recorde anterior, o hack de US$ 1,5 bilhão sofrido pela corretora Bybit em 2025. Os fundos saíram de carteiras da Binance em cerca de 20 minutos, distribuídos por dez blockchains diferentes.
Empresas de inteligência em blockchain, incluindo a Chainalysis e a TRM Labs, atribuíram o ataque ao grupo TraderTraitor, ligado à Coreia do Norte e já responsabilizado pelo hack da Bybit. A investigação inicial apontou que o acesso não autorizado partiu do notebook comprometido de um engenheiro da Binance, que permitiu a um invasor chegar a um contêiner de serviço e enviar transações de retirada não autorizadas; a corretora afirmou posteriormente que houve pontos adicionais de comprometimento ao longo do ataque, e não uma ação única.
A Binance reservou mais de US$ 6,3 bilhões em fundos próprios para cobrir integralmente o prejuízo e trabalhou com parceiros do setor para congelar valores bilionários em ativos afetados. A expectativa da corretora é retomar os saques dentro do prazo de 48 horas de suspensão anunciado inicialmente.