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Mercado26 de out. de 2026, 22:44

Black Friday dos EUA: compra isenta só até US$ 50, resto paga 60%

Comprar na Black Friday americana e receber no Brasil ficou mais barato para compras pequenas, mas o desconto evapora rápido: acima de US$ 50 a mordida do Imposto de Importação é de 60%, mesmo em sites do Remessa Conforme.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 50 é o número que decide a conta

Esse é o teto que separa quem fica livre de Imposto de Importação de quem paga 60% sobre o valor da compra. Segundo o regime Remessa Conforme, em vigor para sites certificados pela Receita Federal, compras de até US$ 50 — considerando produto, frete e seguro somados — têm alíquota zero de Imposto de Importação, restando só o ICMS, que varia de 17% a 20% conforme o estado. Passar um dólar desse limite já ativa a faixa seguinte.

A faixa que pega a maioria dos compradores

Foto: reprodução/serasa.com.br

Para compras entre US$ 50 e US$ 3.000 — faixa que inclui praticamente todo eletrônico, roupa de marca ou acessório de Black Friday que valha a pena importar — a alíquota salta para 60% de Imposto de Importação, com um desconto fixo de US$ 30 sobre o imposto devido. Some o ICMS estadual e a conta final fica bem mais alta do que o preço anunciado no site americano. Fora do programa Remessa Conforme, a mesma alíquota de 60% se aplica, mas sem o desconto de US$ 30 — ou seja, comprar em sites certificados ainda compensa.

Vale lembrar que esse regime simplificado só vale até US$ 3.000 por compra e é exclusivo para pessoa física. Acima disso, entra o regime de importação formal, mais burocrático e caro.

Quem ganha e quem perde nessa conta

Quem ganha é o consumidor que mira produtos baratos — sob US$ 50 — em sites certificados: paga só ICMS e consegue aproveitar de fato o desconto da Black Friday americana, que neste ano cai em 27 de novembro, com Cyber Monday em 30 de novembro. Quem perde é quem tenta importar itens de ticket médio ou alto, como eletrônicos de grife ou roupas de marca cara: a alíquota de 60% soma-se ao ICMS e pode mais que dobrar o preço final, sem contar frete internacional, seguro e eventuais taxas de serviços de redirecionamento, que variam caso a caso e não têm valor fixo.

A mudança mais recente vem da Medida Provisória 1.357/2026, que zerou a chamada "taxa das blusinhas" para a faixa até US$ 50 a partir de maio deste ano — um alívio pontual, mas que não resolve o problema para quem quer comprar algo mais caro na maior promoção do varejo americano.

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