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MercadoIA12 de ago. de 2026, 11:11

Blacksmith multiplica valuation por 10x e chega a US$ 550 milhões

A startup de teste de código com IA levantou US$ 45 milhões em rodada Série B liderada pela Peak XV Partners, saltando de US$ 60 milhões para US$ 550 milhões de valuation em menos de um ano. A receita cresceu de US$ 10 milhões para dezenas de milhões em ARR.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa: 10x em menos de um ano

US$ 550 milhões. Foi a esse patamar que chegou a avaliação da Blacksmith, startup americana de teste e validação de código com IA, depois de captar US$ 45 milhões em uma rodada Série B liderada pela Peak XV Partners. O salto é quase decuplicado: há menos de um ano, em setembro de 2025, a empresa valia US$ 60 milhões, quando levantou US$ 10 milhões em uma Série A. Com o novo aporte, o total captado pela companhia chega a US$ 58,5 milhões — uma fração pequena perto do valor de mercado que passou a carregar.

O motor por trás do múltiplo

O que explica a curva é a receita, não só o hype. A Blacksmith saiu de um ARR (receita recorrente anualizada) de US$ 10 milhões, no momento da Série A, para a marca de "dezenas de milhões de dólares" hoje, segundo a empresa. A base de clientes seguiu o mesmo ritmo: de pouco mais de 700 contas pagantes para mais de 5.000, com nomes como Mercury, Supabase, Clerk, Ashby e Expensify na carteira — e alguns dos maiores clientes já gastando mais de US$ 1 milhão por ano na plataforma. O time, por sua vez, cresceu de 10 para cerca de 30 funcionários, um crescimento de receita muito acima do de headcount, o tipo de eficiência que investidores de growth costumam pagar caro para acessar.

Fundada em 2024 por Aditya Jayaprakash (CEO), Aayush Shah e Aditya Maru — trio que se conheceu na Universidade de Waterloo e passou por Faire e Cockroach Labs —, a Blacksmith oferece infraestrutura de integração contínua (CI) e o Codesmith, agente de IA que corrige automaticamente falhas identificadas em checagens de código. A tese comercial é simples: quanto mais código é gerado por IA, maior o gargalo na validação antes de ir para produção.

Quem ganha e quem fica pressionado

Na ponta dos vencedores está a Peak XV Partners, que assume a liderança da rodada ao lado de investidores já presentes desde o início, como GV (braço de venture capital do Google) e Y Combinator. Do outro lado, a validação de código passa a ser um campo de disputa mais concorrido: a Blacksmith mira diretamente o espaço hoje ocupado por GitHub Actions, automações da Cursor e os serviços de validação das nuvens AWS, Microsoft Azure e Google Cloud. Para essas incumbentes, o crescimento de dez vezes em receita da Blacksmith é um sinal de que a demanda por testes automatizados de código gerado por IA está migrando para fornecedores especializados — e que o apetite de capital de risco para essa categoria específica de infraestrutura de IA segue aquecido, mesmo em um mercado mais seletivo para startups em estágio inicial.

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