
Blacksmith vira unicórnio após captar US$ 66 milhões com a Sequoia
A Blacksmith, startup que ajuda empresas a construir e testar código — inclusive o gerado por IA — fechou uma Série C de US$ 66 milhões liderada pela Sequoia e agora vale US$ 1 bilhão. A rodada veio apenas dois meses depois da Série B, que avaliava a empresa em US$ 550 milhões.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 66 milhões e um salto de avaliação em dois meses
A Blacksmith, plataforma que ajuda empresas a construir e testar código — incluindo o que é escrito por IA —, acaba de captar US$ 66 milhões em uma rodada Série C liderada pela Sequoia, uma das gestoras de venture capital mais tradicionais do Vale do Silício. O aporte coloca a empresa na casa dos US$ 1 bilhão de avaliação, status de unicórnio.
O número que chama atenção não é só o valor da rodada, mas a velocidade da reavaliação: há apenas dois meses, a Blacksmith havia levantado US$ 45 milhões em Série B a uma avaliação de US$ 550 milhões. Há um ano, a Série A foi de US$ 10 milhões, com a empresa avaliada em US$ 60 milhões. Em 12 meses, o valuation multiplicou por quase 17 vezes — e o total captado desde a fundação chega a US$ 125 milhões.
Quem entra e quem já estava dentro
Além da Sequoia na liderança, a rodada teve participação da Premji Invest e dos investidores já presentes na cap table: Peak XV Partners (que liderou a Série B), Google Ventures (GV) e Y Combinator. A permanência desses nomes em rodadas sucessivas indica convicção na tese, mas também concentra o ganho de valor nas mãos de quem entrou cedo.
O negócio por trás do múltiplo
Fundada em 2024 por Aditya Jayaprakash, Aayush Shah e Aditya Maru, a Blacksmith opera uma plataforma de nuvem especializada em acelerar e baratear processos de integração contínua (CI) — a etapa de compilação, teste e validação de código antes de entrar em produção. Segundo a empresa, a receita recorrente anual (ARR) cresceu 17 vezes desde janeiro de 2026, e o volume de jobs de CI executados saltou de 5 milhões para mais de 90 milhões por semana. A base já soma mais de 10 mil empresas clientes, incluindo nomes como Mercury e Granola.
O CEO Aditya Jayaprakash resume a aposta: com o avanço do código gerado por IA, a demanda por testes e validação cresce mais rápido do que a capacidade das empresas de rodar essa esteira internamente — e é aí que a Blacksmith diz entregar jobs de CI até duas vezes mais rápidos e com custo até 60% menor que alternativas tradicionais.
Quem ganha com o avanço do unicórnio
Para os fundadores e investidores early-stage, o salto de US$ 60 milhões para US$ 1 bilhão em 12 meses é um dos casos mais rápidos de criação de valor no setor de ferramentas para desenvolvedores nesta safra de IA. Já para concorrentes de CI/CD tradicionais, o recado é direto: a Blacksmith usa a corrida por código gerado por IA como alavanca de crescimento, e a entrada da Sequoia reforça a tese de que infraestrutura para testar — não só gerar — código vira a próxima fronteira disputada por grandes fundos.