
Bloomberg Philanthropies investe até US$ 750 mil para levar 3 programas de moradia a 14 cidades
Fundação filantrópica ligada ao ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg vai financiar réplicas de programas habitacionais de Atlanta, San Diego e Austin em 14 cidades de 12 estados americanos, com aportes de US$ 450 mil a US$ 750 mil por município.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Quem precisa de casa, quer saber: o dinheiro resolve o quê?
Para quem espera na fila por um aluguel que caiba no orçamento, a pergunta é direta: um aporte filantrópico de algumas centenas de mil dólares por cidade realmente destrava moradia? É essa a aposta da Bloomberg Philanthropies, fundação filantrópica do ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg, que vai investir de US$ 450 mil a US$ 750 mil em cada uma de 14 cidades espalhadas por 12 estados dos EUA para replicar três programas habitacionais que já mostraram resultado em outros lugares.
As três cidades que serviram de modelo
Foto: reprodução/housingwire.com
A iniciativa não parte do zero: ela empacota soluções que já funcionaram.
- Austin (Texas) legalizou as chamadas "granny flats" — unidades acessórias de moradia em lotes residenciais — desde 2015. O resultado: quase 3 mil novas unidades licenciadas até 2024.
- San Diego reformou o processo de licenciamento em 2023, com uma ordem executiva que limita a análise de projetos de habitação acessível a no máximo 30 dias úteis. A cidade viu um salto de 82% nas permissões de construção.
- Atlanta criou em 2022 uma "força-tarefa" de habitação, reunindo lideranças de várias secretarias sob um comando único, com a meta de entregar 20 mil unidades de habitação acessível em menos de uma década.
Quem são as 14 cidades e o que vêm fazer
As cidades selecionadas para a primeira fase são Albuquerque, Alexandria, Charleston, Chattanooga, Cleveland, Columbia, Durham, Louisville, Miami, Nashville, Omaha, Pittsburgh, Providence e San Jose. Cada uma vai adotar pelo menos uma das três estratégias testadas em Austin, San Diego ou Atlanta, usando o dinheiro da fundação e suporte técnico oferecido junto com o investimento.
Segundo o levantamento, a fundação planeja estender o programa a pelo menos 16 jurisdições adicionais, das quais cerca de dez devem implementar as três estratégias simultaneamente. Os critérios de seleção das cidades incluíram alinhamento político interno, capacidade administrativa de adaptação, liderança direta do prefeito, pressão habitacional local e porte populacional.
As perguntas que ficam em aberto
O valor por cidade — entre US$ 450 mil e US$ 750 mil — é pouco para o tamanho do problema habitacional americano, mas a aposta da fundação é que o dinheiro funcione como capital semente para mudanças de processo, não para construir moradias diretamente. Fica sem resposta nas fontes consultadas: quem fiscaliza a aplicação desses recursos privados em orçamentos públicos municipais, e quais métricas vão medir se as réplicas nas 14 cidades repetem os números de Austin, San Diego e Atlanta — ou se ficam só no papel, como qualquer programa piloto financiado por fora da prefeitura.