
Blue Origin promete motor de foguete mais potente a um quarto do custo
A empresa espacial de Jeff Bezos revelou o Northstar, novo motor de primeiro estágio, e já testou em bancada o GS3, terceiro estágio do foguete New Glenn — mas boa parte dos ganhos prometidos ainda depende de comprovação em voo.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Uma peça de motor que cabe na palma da mão... só que não
Imagine pegar um motor de automóvel e trocar a metade das peças por uma versão impressa em uma impressora 3D industrial, perdendo quase um terço do peso sem perder força. É mais ou menos a lógica que a Blue Origin, companhia aeroespacial fundada em 2000 pelo bilionário Jeff Bezos e uma das principais concorrentes privadas da SpaceX, diz estar aplicando ao novo motor de foguete que apresentou nesta semana. Batizado de Northstar, ele foi revelado pelo CEO da empresa, Dave Limp, durante o evento Up.Summit, no Kennedy Space Center, na Flórida, em 5 de novembro, segundo reportagem do site especializado Spaceflight Now.
O que já é fato
Já está confirmado: a Blue Origin testou o novo terceiro estágio do foguete New Glenn, chamado GS3, em bancada no Texas — com pressurização de 2,5 horas a 100% da pressão máxima de operação prevista e dez minutos a 150% desse limite, segundo o Spaceflight Now. Esse estágio usará o motor BE-7, que já existe e já roda nos módulos lunares Blue Moon da própria empresa — não é peça nova, só está sendo reaproveitada em outro contexto. O motor atual do primeiro estágio do New Glenn, o BE-4, continua em uso normal: o retorno do foguete aos voos depois de um incidente ocorrido em maio deste ano vai usar essa tecnologia já consolidada, não o Northstar.
O que ainda é promessa
O restante é meta declarada pela empresa, não resultado comprovado em produção em série. A Blue Origin afirma que o Northstar terá metade das peças do BE-4, 30% menos massa e poderá ter 65% de seus componentes fabricados por impressão 3D — o que, segundo a companhia, deve permitir fabricá-lo por cerca de um quarto do custo do motor atual, ou seja, uma redução de 75%. O empuxo prometido é de 715 mil libras-força, contra 640 mil do BE-4 hoje em operação. A empresa também diz pretender, no futuro, montar cada motor em menos de um dia.
Com o novo estágio GS3, a configuração mais robusta do New Glenn (com nove motores no primeiro estágio e quatro no segundo) poderia levar até 14 toneladas métricas à órbita geoestacionária e 20 toneladas para uma rota rumo à Lua — praticamente o dobro da capacidade da configuração atual. São números de meta, baseados em comunicado da própria Blue Origin reproduzido pelo Spaceflight Now e corroborado por outras publicações especializadas, como o Mondo News. Até a empresa comprovar isso em voo real, vale tratar como objetivo — e não como fato consumado.