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Mercado09 de set. de 2026, 08:42

Bluecore Energy levanta US$ 50 milhões dois meses após sair do stealth

A startup nuclear Bluecore Energy, que desenvolve pequenos reatores em barcaças flutuantes para abastecer portos, fechou um seed round de US$ 50 milhões liderado pela Silverton Partners.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 50 milhões em seed, US$ 60 milhões em dois meses

US$ 50 milhões. Esse foi o tamanho do seed round, oversubscribed, fechado pela Bluecore Energy — startup americana que projeta pequenos reatores nucleares modulares (SMRs) instalados em barcaças flutuantes para gerar energia limpa em portos e infraestrutura próxima. O aporte foi liderado pela Silverton Partners e vem apenas dois meses depois de a empresa sair do modo stealth, em julho, com uma rodada pré-seed de US$ 10 milhões. Somando as duas captações, o total chega a US$ 60 milhões desde a fundação, ocorrida no início de 2026.

Investidores de peso e um pitch inusitado

A lista de apoiadores mistura fundos de VC e nomes conhecidos fora do setor de energia: Slauson & Co., Harlem Capital e o cofundador da Ripple, Chris Larsen, entraram já na pré-seed; Collab Capital e a HartBeat Ventures, do comediante Kevin Hart, se somaram depois. Também há investidores-anjo com passagem por Tesla, Uber, Amazon e Google. Para uma startup pré-produto, é um sinal de que o mercado está disposto a apostar em energia nuclear portátil antes mesmo de qualquer reator operacional.

O que ganha tração e por quê

O diferencial da Bluecore é logístico: em vez de construir uma planta fixa, a empresa move o reator até onde a energia é necessária, o que — segundo o fundador Kofi Asante — permite reduzir de anos para dias o tempo de implantação em relação a uma nova infraestrutura energética fixa. O sistema inicial mira cerca de 10 MW de potência contínua, com tecnologia refrigerada a água e arquitetura marítima pensada para operar anos seguidos com reabastecimento raro.

Quem perde: a burocracia nuclear tradicional

O dinheiro recém-captado vai para desenvolvimento de produto, mas também para o trabalho regulatório junto à NRC (Comissão Reguladora Nuclear dos EUA) e à Guarda Costeira, além da compra de combustível nuclear e contratação de equipe — os gargalos clássicos que travam projetos nucleares tradicionais. Ao atacar simultaneamente portos e data centers de IA, que também demandam energia intensiva e rápida, a Bluecore tenta se posicionar num nicho que combina duas das maiores demandas energéticas do momento: infraestrutura marítima e computação.

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