
Bluesky quer domínio próprio para usuários, mas plano leva até 2 anos
Bluesky pediu à ICANN a criação do sufixo ".bsky" para dar identidade própria aos usuários na web aberta. Processo de aprovação deve levar de 18 a 24 meses e a empresa promete não monetizar os domínios.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
De 18 a 24 meses: esse é o prazo que a ICANN (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers), entidade que regula os domínios da internet, estima para analisar o pedido do Bluesky — rede social descentralizada, alternativa ao X (Twitter) — de criar o sufixo ".bsky", equivalente a ".com" ou ".org". A entidade publica nesta quarta-feira (7) a lista de candidaturas a novos domínios, e a do Bluesky está nela.
O plano, revelado pelo CEO Toni Schneider, é dar a cada usuário um endereço próprio e mais limpo na web. Hoje, um perfil como "@sarahp.bsky.social" poderia se tornar simplesmente "sarahp.bsky" — eliminando a dependência do subdomínio da plataforma e abrindo caminho para que os perfis deixem de ser apenas uma bio com posts e passem a funcionar como uma página pessoal mais completa, nos moldes de uma homepage própria.
Quem ganha
Usuários individuais são os principais beneficiados: passam a ter um identificador mais curto e, em tese, mais portátil, reduzindo a dependência da marca Bluesky para provar identidade online. A arquitetura se apoia no AT Protocol, o protocolo aberto por trás da rede, que já permite hoje que qualquer pessoa use um domínio próprio como handle para autoverificar a legitimidade de sua conta — o ".bsky" apenas amplia essa lógica para quem não quer (ou não pode) comprar um domínio tradicional.
A COO Rose Wang resumiu a motivação: "domínios são parte importante da web aberta, pois permitem que os usuários controlem sua própria identidade online", segundo o TechCrunch. A empresa afirma que não pretende vender ou monetizar os domínios — um contraste direto com o modelo de negócio normal da indústria de registro de domínios, tradicionalmente lucrativa.
Quem perde — ou espera
Por ora, ninguém perde nada de concreto, porque nada muda no curto prazo. A própria empresa não fechou como os domínios serão solicitados, registrados ou distribuídos entre a base de usuários. Isso significa que concorrentes e desenvolvedores do ecossistema do AT Protocol — incluindo projetos paralelos como o Blacksky — seguem no modo de espera, sem clareza sobre regras de acesso ao sufixo.
O movimento também reforça a aposta do Bluesky na narrativa de descentralização como diferencial competitivo frente ao X, justamente num momento em que a empresa vem de uma rodada Série B de US$ 100 milhões, captada em março deste ano. Transformar a identidade do usuário em algo que sobrevive à própria plataforma é uma jogada estratégica de retenção e de reputação — mas que só vai se provar, na prática, perto de 2028.