
Bluesky quer facilitar compra, venda e captação de recursos na rede
CEO Toni Schneider e a diretora de operações Rose Wang anunciaram no TechCrunch Disrupt que o Bluesky vai lançar pagamentos nativos nos próximos meses, apostando que publicidade não é o único caminho de monetização.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Pagamentos chegam "nos próximos meses"
O Bluesky, rede social descentralizada que se tornou uma das principais alternativas ao X (antigo Twitter), vai introduzir um sistema de pagamentos nativo nos próximos meses. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (15) durante o TechCrunch Disrupt pelo CEO Toni Schneider e pela diretora de operações (COO) Rose Wang, e marca o primeiro passo concreto da empresa para monetizar a plataforma sem depender de publicidade.
A tese contra o modelo publicitário
Foto: reprodução/techcrunch.com
Segundo Schneider, ex-CEO da Automattic, empresa de código aberto por trás do WordPress.com, que assumiu o comando do Bluesky em março, o movimento busca formalizar algo que já ocorre de forma orgânica na rede. "As pessoas já estão vendendo coisas, captando recursos com sucesso, se apoiando umas às outras na rede. Queremos facilitar isso", disse o executivo.
Wang argumentou que existe uma narrativa de que anúncios são o caminho natural de monetização de redes sociais — e que essa lógica tende a prejudicar a experiência do usuário a longo prazo. Para sustentar o argumento, ela citou a trajetória de Schneider na Automattic, onde ele construiu um negócio avaliado em US$ 10 bilhões em que parte relevante da receita retorna ao ecossistema de criadores, e não fica concentrada apenas na empresa controladora.
O plano é que o recurso de pagamentos funcione em toda a rede baseada no protocolo aberto do Bluesky, beneficiando não só o aplicativo principal, mas também outros serviços construídos sobre a mesma infraestrutura descentralizada.
Quem ganha e quem perde
Se a aposta der certo, os maiores beneficiados são criadores de conteúdo e pequenos vendedores que hoje já usam a rede informalmente para transações e campanhas de arrecadação, mas sem ferramenta nativa de pagamento — hoje dependentes de links externos para serviços de terceiros. O Bluesky reforça que seu status de Public Benefit Corporation (PBC) impõe um compromisso formal de priorizar a missão da empresa e direcionar valor a quem cria conteúdo, em vez de reter receita como intermediário.
Já o lado que perde influência é o modelo de publicidade tradicional, hoje dominante em concorrentes como X, Meta e TikTok. Caso o Bluesky prove que pagamentos diretos sustentam o negócio em escala, a pressão aumenta sobre rivais que monetizam primariamente via anúncios — embora converter uma base de usuários menor em receita recorrente ainda seja um teste real para a estratégia.