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Smart CitiesMercado27 de out. de 2026, 22:38

Boom de data centers de IA pressiona rede elétrica dos EUA — e também a renova

O crescimento acelerado de data centers de inteligência artificial está sobrecarregando a rede elétrica americana, mas especialistas dizem que essa pressão está acelerando investimentos em modernização e novas tecnologias de transmissão.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Um teste de estresse para a rede elétrica americana

O avanço da inteligência artificial trouxe um efeito colateral que vai além dos chips e dos data centers: a pressão sobre a rede elétrica dos Estados Unidos. Segundo reportagem do TechCrunch, o aumento de conexões de alta demanda — somando data centers de IA, veículos elétricos e bombas de calor residenciais — está funcionando como um teste de estresse para uma infraestrutura elétrica que, em boa parte, não foi projetada para esse volume de carga. No curto prazo, o risco mais citado é o aumento das contas de energia; no longo prazo, especialistas apontam para a possibilidade de apagões caso a modernização não acompanhe a demanda.

O lado bom da crise: inovação acelerada

Mas, segundo a mesma reportagem, essa pressão também abriu espaço para investimentos que dificilmente ganhariam tração em um cenário sem o boom de data centers. É o caso da WeaveGrid, startup que desenvolve softwares de orquestração de carga para ajudar concessionárias a usar melhor a infraestrutura já existente, reduzindo a necessidade de obras caras e, em tese, as contas dos consumidores. Apoorv Bhargava, fundador da empresa, resume o momento: "estamos lidando com uma quantidade enorme de novas variáveis, incluindo energia renovável [...] a capacidade de gerenciar e orquestrar é, fundamentalmente, o que as concessionárias estão enfrentando agora".

Outro exemplo é a Veir, startup americana que desenvolve cabos de transmissão supercondutores capazes de carregar energia cinco vezes mais longe que os cabos tradicionais, ocupando 20 vezes menos espaço físico. A empresa levantou US$ 110 milhões em uma rodada Série C em outubro, e seu CEO, Tim Heidel, afirma que "a escala do investimento em infraestrutura de IA está gerando uma quantidade tremenda de inovação".

Quem paga a conta — e quem fiscaliza?

Para o consumidor final, a pergunta que fica é: quem paga por essa modernização? Historicamente, parte dos custos de expansão da rede é repassada às tarifas de energia, e a reportagem não detalha mecanismos específicos de proteção ao consumidor nesse novo ciclo de investimentos puxado pela IA. Kristin Eberhard, vice-presidente de políticas públicas da Rewiring America, organização americana que defende a eletrificação doméstica, resume o momento como uma "era de improviso", em que são necessárias mais linhas de transmissão somadas a outras soluções de infraestrutura. Falta, no debate público, mais clareza sobre fiscalização: quais agências estão acompanhando se o custo da corrida por data centers será diluído de forma justa entre grandes empresas de tecnologia e o consumidor residencial que só quer manter a geladeira e o ar-condicionado funcionando sem reajustes abruptos na conta de luz.

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