
Boom Supersonic atrasa avião e aposta em energia para data centers de IA
O CEO da United Airlines diz que o avião supersônico Overture não ficará pronto até 2029, enquanto a Boom perde um cliente do novo negócio de energia.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O prazo que não vai se sustentar
Scott Kirby, CEO da United Airlines, uma das primeiras compradoras do avião supersônico Overture, disse em entrevista a um podcast publicada em 28 de outubro que o prazo de 2029 estabelecido pela Boom Supersonic — startup americana que desenvolve aeronaves comerciais capazes de voar além da velocidade do som — não será cumprido: "não vai acontecer em 2029, vai levar mais tempo". Em março, Kirby já havia dado 50% de chance para o avião entrar em operação comercial dentro do prazo. Segundo ele, a empresa ainda tem "muitos obstáculos" a vencer, incluindo a certificação pela FAA, a agência de aviação civil dos Estados Unidos. O Overture ainda não teve sua fuselagem construída e a fábrica da Boom estaria parada, segundo reportagens; analistas da consultoria Forecast International acham mais provável que o avião só entre em serviço na década de 2030, já que tanto a aeronave quanto o motor Symphony são projetos feitos do zero, o que normalmente exige anos de certificação.
O pivô: vender energia para data centers
Enquanto o avião atrasa, a Boom tenta faturar com outro produto: o Superpower, turbinas estacionárias de 42 megawatts derivadas de motores de avião supersônico, que funcionam continuamente sob cargas térmicas extremas e usam gás natural sem precisar de água — características que a empresa vende como ideais para alimentar data centers de inteligência artificial.
Quem perde: o primeiro grande cliente
A Crusoe Energy, startup de data centers de IA que já levantou US$ 3,9 bilhões, havia encomendado 29 turbinas Superpower num contrato de US$ 1,25 bilhão para seu data center em Abilene, no Texas — o maior pedido do portfólio da Boom nesse negócio. Em setembro, a Crusoe abandonou o plano de usar as turbinas da Boom; a empresa afirmou que seus planos de energia "não mudaram", só que vai usar turbinas de outro fornecedor. Resultado: a Boom perde o maior cliente da aposta que deveria sustentar o caixa enquanto o avião principal não sai do papel.