
Boring Company capta US$ 3 bi com EAU e vale US$ 23 bi
A empresa de escavação de túneis de Elon Musk fechou um Series D de US$ 3 bilhões liderado pelos Emirados Árabes Unidos, avaliada agora em US$ 23 bilhões. O capital vai financiar mais de 150 km de túneis no país do Golfo.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa
US$ 3 bilhões. Foi esse o cheque que a The Boring Company, empresa de escavação de túneis fundada por Elon Musk, recebeu em uma rodada Series D liderada pelos Emirados Árabes Unidos (EAU). O aporte eleva o valuation da companhia a US$ 23 bilhões — um salto de cerca de quatro vezes frente aos US$ 5,7 bilhões atribuídos a ela em 2022, quando captou US$ 675 milhões.
O múltiplo por trás do cheque
A rodada havia sido antecipada pelo Wall Street Journal em julho, quando a empresa buscava levantar até US$ 4 bilhões. Mesmo fechando abaixo do teto, o salto de valuation em relação a 2022 mostra apetite forte de investidores por infraestrutura subterrânea ligada ao ecossistema Musk, num momento em que capital soberano do Golfo tem buscado ativos de mobilidade e tecnologia fora dos EUA.
Além dos EAU e entidades ligadas ao país — como a Shamal Holding —, participaram do aporte nomes de peso do venture capital: Sequoia Capital, Andreessen Horowitz, Temasek, Valor Equity Partners, Vy Capital, Human Capital e Baron Capital.
Quem ganha
Os Emirados Árabes Unidos saem na frente como maior beneficiário estratégico: o dinheiro vai financiar mais de 150 quilômetros de túneis no país, ampliando a parceria já em curso com o projeto Dubai Loop, sistema subterrâneo de transporte de passageiros acordado com a Autoridade de Estradas e Transporte de Dubai. A primeira fase do Dubai Loop prevê uma rota-piloto de cerca de 6,4 km com quatro estações, ligando o Dubai International Financial Centre ao Dubai Mall, com custo estimado em US$ 154 milhões.
Elon Musk também ganha: a Boring Company, historicamente ofuscada por Tesla e SpaceX no radar do público, garante fôlego financeiro e um mercado internacional âncora para validar sua tecnologia de escavação em escala.
Quem fica de fora
O lado que fica de fora da festa, por ora, é o mercado americano da empresa. A Boring Company segue operando túneis em Las Vegas, conectando cassinos ao centro de convenções, e toca um projeto de 10 milhas em Nashville — mas é no Golfo que o capital mais recente está concentrado. Para investidores que apostaram no crescimento doméstico da companhia, a rodada sinaliza que o próximo grande capítulo de expansão está fora dos Estados Unidos.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira (10/9).