
Bose aposta em wearables de IA e amplia negócio de licenciamento
Em entrevista ao podcast Decoder, a CEO da Bose, Lila Snyder, detalha a estratégia da empresa após comprar a McIntosh e a Sonus faber, apostar em wearables com IA e licenciar tecnologia para marcas como Motorola e Xreal.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
De fabricante de caixas de som a dona de marcas de luxo
Fundada há 60 anos vendendo alto-falantes para consumidores, a Bose está no que a CEO Lila Snyder chama de "segundo capítulo de transformação" da empresa, à frente do cargo desde 2020. Em entrevista ao podcast Decoder, do The Verge, ela detalhou os movimentos recentes: a venda da divisão Bose Professional e a compra da McIntosh Labs (75 anos de história) e da fabricante italiana Sonus faber — marcas de áudio de luxo que a empresa promete não mexer.
"Não queremos 'Bose-ificar' nada nessas marcas. Não temos intenção de trazer produtos para o mercado de massa", disse Snyder.
O outro negócio: vender tecnologia, não só produto
Boa parte da entrevista trata de um negócio menos visível ao consumidor final: a divisão Audio Tech, criada para licenciar tecnologia de áudio da Bose a terceiros. A lista de parceiros já inclui Motorola (fones de ouvido e som de telefone), Xreal (óculos de realidade estendida), Sena (comunicação para capacetes de moto), Skullcandy (com o selo "Sound by Bose") e Epson (projetores).
"Estamos sempre vendendo tecnologia, e a tecnologia é fundamental. Você nunca terá o logo sem a tecnologia", resumiu a CEO.
Aposta em wearables e "IA pequena"
Sobre o futuro, Snyder é direta: "os wearables são críticos para o futuro da IA. Acreditamos que será mais conversacional e baseado em som do que qualquer outra coisa." A empresa desenvolve o que chama de "tiny AI" — inteligência artificial voltada para dispositivos com pouco poder de processamento, como fones e óculos.
Nem tudo deu certo: a tentativa de vender aparelhos auditivos de venda livre (sem receita) esbarrou em preço. "Não funcionou ainda. Consumidores esperam algo em torno de US$ 200 a 400, não US$ 1.000", admitiu a executiva — a Bose tem hoje um parceiro chinês para esse segmento, a Orca.
Vale a estratégia?
Diferente de gerações passadas da marca, apostadas em produto de prateleira, a Bose de Snyder aposta em ecossistema: vender tecnologia por trás de outras marcas pode pesar menos no orçamento do consumidor final, mas também dilui a exclusividade que fez a Bose valer o preço premium por décadas. Falta saber se a estratégia entrega retorno tão bem quanto entregava um alto-falante Bose sozinho na prateleira.