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Mercado23 de out. de 2026, 09:32

Bose compra a Skullcandy e mira o mercado de fones mais baratos

Depois de ano e meio de parceria, a Bose assume o controle da Skullcandy e quer levar cancelamento de ruído a produtos de entrada. A marca de Utah, símbolo dos fones coloridos dos anos 2000, segue operando separada.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Um ano e meio de namoro virou casamento

A Bose fechou a compra da Skullcandy, marca americana de fones de ouvido fundada em 2003 na cidade de Park City, em Utah, e famosa por popularizar designs coloridos e baratos entre o público jovem nos anos 2000. O valor da transação não foi revelado, mas o movimento formaliza uma relação que já durava: desde abril de 2025 a Skullcandy vende fones com o selo "Sound by Bose", começando pelo Method 360 ANC e, em julho deste ano, chegando ao Crusher 1080 ANC.

Quem ganha com o negócio

Foto: reprodução/mundoconectado.com.br

A lógica é de complementaridade, não de canibalização. A Skullcandy continuará operando como marca separada, dentro da divisão de áudio premium de consumo da Bose, mantendo sede em Utah. Para a Bose, historicamente posicionada em produtos de ticket mais alto, a aquisição abre uma porta que ela não tinha conseguido arrombar sozinha: a Skullcandy carrega relações antigas com atletas e comunidades de skate, surfe, snowboard, música e games — público que raramente compra um fone Bose de primeira linha, mas compra um Skullcandy de R$ 200.

Raza Haider, presidente da divisão de áudio premium da Bose, resumiu o racional dizendo que um dos objetivos é "ampliar os lugares em que as pesquisas e tecnologias podem ser aplicadas". Na prática, isso significa pegar tecnologia de cancelamento ativo de ruído — hoje reservada a produtos mais caros — e descer essa régua para os modelos de entrada e intermediários da Skullcandy, que é exatamente onde a marca tem volume.

Quem perde (ou precisa reagir)

O movimento pressiona concorrentes que disputam a faixa de preço popular de fones com ANC, como JBL e outras marcas de entrada. Se a aposta da Bose funcionar, a combinação de tecnologia premium com preço de Skullcandy cria um produto difícil de replicar para rivais que não têm um parceiro com know-how de cancelamento de ruído testado em produtos top de linha.

Para o consumidor brasileiro, o efeito prático ainda é incerto — não há, por ora, anúncio de distribuição local dos produtos híbridos. Mas a tendência de fones com ANC migrando para faixas de preço mais baixas já é um sinal que vale monitorar para quem acompanha o mercado de áudio por aqui.

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