
Bose QuietComfort Headphones 2ª geração: boas, mas já não brilham como antes
O novo QuietComfort Headphones da Bose ganha cancelamento de ruído aprimorado e áudio lossless por USB-C, herdando recursos que antes eram exclusivos do Ultra. Mas a concorrência apertou o cerco.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
O upgrade que reduz a distância para o Ultra
A segunda geração do Bose QuietComfort Headphones chega repetindo a fórmula que fez a linha ser referência em conforto: menos de 230 gramas, arco acolchoado e uma vedação passiva que já ajuda bastante antes mesmo de ligar o cancelamento ativo. A diferença para a geração anterior está em três frentes: compensação de vazamento de vedação (útil para quem usa óculos), tecnologia ActiveSense para proteger a audição no modo de transparência, e suporte a áudio lossless via cabo USB-C — recurso que antes só o Ultra oferecia.
No dia a dia, isso significa um fone que finalmente incorpora parte do que fazia o modelo topo de linha valer o preço mais alto, sem cobrar o mesmo tanto por isso.
Foto: reprodução/gizmodo.com
Cancelamento de ruído ainda manda bem, mas não é mais sozinho
Testado em metrô e rua movimentada, o ANC segue entre os melhores do mercado — "ainda são melhores que muitos pares usados no último ano, incluindo modelos mais baratos", segundo a review. O modo Aware (transparência) é descrito como decente, "definitivamente melhor que muitos pares mais baratos", mas ainda atrás do AirPods Max 2. É um recuo simbólico: a Bose já foi sinônimo indiscutível de melhor ANC do mercado, hoje divide esse pódio.
No som, o equilíbrio é bom, com leve exagero nos graves em volume baixo — o Ultra ainda entrega mais nuance. O áudio espacial está presente, mas é do tipo que a maioria vai testar uma vez e esquecer. A bateria promete 27 horas com ANC ligado, e o teste de uma hora a 50% de volume gastou só 10% de carga, sugerindo que a promessa se sustenta. O ponto fraco fica por conta das chamadas: ruído ambiente atrapalha a nitidez da voz do outro lado da linha.
Vale o preço no Brasil?
Nos EUA, o QuietComfort Headphones (2ª geração) sai por US$ 359, contra US$ 449 do Ultra — uma diferença que, em dólar, é convidativa. O problema é a conversão para o mercado brasileiro: fones Bose historicamente chegam por aqui com preços que superam em muito a paridade cambial direta, empurrando o QuietComfort para a faixa que concorrentes como Sony e Apple já ocupam com folga. Isso é o que resume a geração: um produto sólido, bem construído, com ANC de primeira linha — mas que não é mais o único a oferecer isso, e que precisa competir em um mercado onde a vantagem de preço que via de regra tinha nos EUA desaparece na hora de cruzar a fronteira.