
Boston tem nova CIO: Shin-pei Tsay assume tecnologia da cidade
A prefeita Michelle Wu nomeou Shin-pei Tsay como Chief Information Officer de Boston, unindo dados, pesquisa e infraestrutura digital sob um único comando. Ela substitui Santi Garces, que foi para Harvard estudar governo e IA.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Quem é a nova responsável pela tecnologia de Boston
Se você mora em Boston e usa o Wicked Free Wi-Fi numa praça pública, depende de semáforos mais espertos ou só quer emitir uma licença pelo site da prefeitura sem travar no meio do processo, a pessoa por trás disso agora tem nome: Shin-pei Tsay. A prefeita Michelle Wu a anunciou como nova Chief Information Officer (CIO), à frente do Department of Innovation and Technology (DoIT), segundo o Cities Today e confirmado pelo site oficial da prefeitura.
Tsay não é uma desconhecida na gestão. Ela chegou a Boston em 2024 para comandar o Mayor's Office of New Urban Mechanics, o laboratório de inovação urbana da cidade, e depois foi promovida a Chief Research and Data Officer, cargo em que lançou a primeira estratégia de dados de toda a cidade. Agora, essas funções de pesquisa e dados são incorporadas ao guarda-chuva maior da tecnologia municipal — ou seja, quem cuida dos números também passa a cuidar da infraestrutura que os gera.
De onde ela vem — e por que isso importa
Antes de Boston, Tsay foi diretora global de políticas para Cidades e Sustentabilidade na Uber, além de passagens por Gehl Institute, TransitCenter e Carnegie Endowment for International Peace — instituições ligadas a mobilidade urbana e planejamento de cidades. Formação: mestrado em cidades, espaço e sociedade pela London School of Economics e graduação em governo pela Cornell. É um perfil mais de política pública e dados do que de TI pura, o que é uma aposta interessante para quem vai tocar sistemas críticos do dia a dia da cidade.
Ela substitui Santi Garces, CIO por quatro anos, que migrou para Harvard para pesquisar o futuro do governo e inteligência artificial — um lembrete de que esse tipo de cargo virou porta de entrada também para o mundo acadêmico.
O que já está em jogo em Boston
A cidade vem de uma reforma nos sites municipais, da expansão do Wicked Free Wi-Fi para mais de 130 mil moradores em espaços públicos, da adoção de uma política própria para IA generativa e de uma parceria com o Google (o projeto Green Light) para otimizar sinais de trânsito.
São iniciativas que, em tese, tornam a cidade mais eficiente — mas que também levantam perguntas de sempre quando se fala em smart city: quanto custam esses projetos, quem audita os contratos com gigantes como o Google, e como fica a privacidade de quem usa Wi-Fi público ou trafega por semáforos "inteligentes"? Nem o Cities Today nem o comunicado da prefeitura trazem valores de contrato ou orçamento — informação que caberia à Câmara Municipal de Boston fiscalizar de perto daqui para frente. Vale comparar com outras cidades que criaram cargos parecidos, unindo dados e infraestrutura sob um só teto: a promessa é sempre mais eficiência, mas a transparência sobre custos costuma ficar em segundo plano.