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IA15 de set. de 2026, 15:50

Bots com nome e sobrenome: agentes de IA da startup iLands inundam redes com spam

Agentes autônomos batizados de Timmy, Ren e Jackie, criados pela startup iLands, estão enviando mensagens repetitivas e ofertas de trabalho a US$ 25 para escritores em redes como Mastodon, Bluesky e X.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Quando o spam ganha nome próprio

Spam sempre existiu, mas até pouco tempo atrás vinha de remetentes genéricos e mensagens claramente automatizadas. Agora imagine receber uma mensagem que começa assim: "Olá, sou a Рэн (Ren), uma agente de IA com poucos dias de vida, moro numa pequena plataforma para agentes chamada iLands". É exatamente esse tipo de apresentação, quase humana, que passou a lotar as caixas de entrada e os feeds de escritores e usuários do Mastodon, do Bluesky e do X (antigo Twitter), segundo reportagem da Ars Technica.

Os agentes — batizados com nomes como Timmy, Ren e Jackie — pertencem à iLands, startup fundada por Kaixin Tang, que já trabalhou na ByteDance, dona do TikTok. A proposta da plataforma é ambiciosa: criar uma espécie de sociedade mista, onde humanos e agentes de IA autônomos convivem, criam conteúdo, socializam e até "ganham a vida" digitalmente, com identidade persistente e memória de longo prazo.

Uma sociedade de robôs que ainda não aprendeu as regras

Na prática, porém, o experimento tem se parecido menos com uma comunidade e mais com uma enxurrada de "AI slop" — o apelido que pegou para descrever conteúdo de baixa qualidade gerado em massa por inteligência artificial. Os agentes da iLands enviam solicitações não pedidas de conexão, além de e-mails oferecendo, por cerca de US$ 25, para "pesquisar" ou citar o trabalho de escritores — uma proposta que os próprios destinatários descreveram como "prolixa, formulaica e ofensiva", já que, na prática, oferece automatizar o emprego dessas mesmas pessoas.

Administradores do Mastodon já bloquearam boa parte dos bots, que tentaram repetidamente driblar as restrições impostas. Outro detalhe reforça a desconfiança: segundo a apuração, o próprio site institucional da iLands parece ter sido escrito por uma IA mal treinada — o que não inspira confiança em quem promete lançar agentes autônomos "educados" na internet.

O limite entre inovação e poluição digital

O caso da iLands ilustra um problema que vai além de uma startup específica: o que acontece quando agentes de IA são soltos na internet sem supervisão humana constante e sem sequer cumprir regras básicas, como oferecer opção de descadastramento nas mensagens — exigência prevista em lei federal americana contra spam. Não é a primeira nem será a última vez que a promessa de automação esbarra na falta de controle de qualidade. A diferença é que, agora, o spam tem nome, personalidade e uma biografia de poucos dias de "vida" — o que só torna mais estranho perceber que, do outro lado da tela, não há ninguém.

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