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Ciência11 de set. de 2026, 11:16Atualizada em 11 de set. de 2026, 21:49

Brasil ajuda a construir supertelescópio que vai investigar o passado do Universo

Cientistas e engenheiros brasileiros participam da construção do Telescópio Gigante Magalhães, no Chile, que terá 24,5 metros de diâmetro efetivo e deve captar luz de galáxias primitivas.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: o espelho principal do novo telescópio em construção no deserto do Atacama, no Chile, terá 24,5 metros de diâmetro efetivo — o suficiente para cobrir uma quadra de basquete. É o Telescópio Gigante Magalhães (GMT, Giant Magellan Telescope), um dos chamados "telescópios de classe extremamente grande" que prometem redefinir a astronomia observacional na próxima década, e o Brasil está entre os países que ajudam a construí-lo.

O que já está confirmado

O GMT será formado por sete espelhos monolíticos de 8,4 metros de diâmetro cada, feitos de vidro borossilicato, moldados em fornos giratórios a mais de 1.100°C e depois polidos por cerca de dois anos até atingir precisão óptica da ordem de um milésimo da espessura de um fio de cabelo. Dois espelhos já estão prontos e guardados em Tucson, no Arizona, onde ficam os laboratórios que os fabricam, e outros seguem em diferentes estágios de produção. A instalação está prevista para o Observatório Las Campanas, no deserto do Atacama, a mais de 2.500 metros de altitude.

A participação brasileira é operada pelo GMT Brasil Office (GMTBrO), sediado no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP) e coordenado pelos professores Laerte Sodré Junior e Claudia Mendes de Oliveira. A equipe reúne mais de 40 profissionais — entre docentes, técnicos e bolsistas de instituições como a própria USP, o Instituto de Física da Unicamp e o Instituto Mauá de Tecnologia — dedicados ao projeto e à produção de instrumentos astronômicos que serão acoplados ao telescópio, como os espectrógrafos GMACS e G-CLEF.

A entrada do país no consórcio internacional foi viabilizada por um investimento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que desde 2014 é integrante fundadora do GMTO (Giant Magellan Telescope Organization). Em troca do aporte, pesquisadores paulistas terão direito a uma fatia do tempo anual de observação do telescópio.

O que ainda é expectativa

A data de conclusão do GMT segue tratada como "fim da década" pelas fontes ligadas ao projeto, sem cronograma fechado publicamente — construções de telescópios desse porte historicamente sofrem atrasos. Cientificamente, a promessa é que o GMT tenha resolução até dez vezes maior que a do telescópio espacial Hubble, permitindo observar galáxias mais antigas e distantes, investigar a formação de elementos químicos e buscar sinais em atmosferas de exoplanetas — mas esses resultados dependem da conclusão da obra e da calibração dos instrumentos, ainda anos à frente.


Atualização (11/09, 21:49): Tecnologia desenvolvida por equipes brasileiras vai integrar o GMT, telescópio gigante em construção no Chile que promete até 200 vezes mais poder de observação que os instrumentos atuais.

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