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Ciência19 de set. de 2026, 10:59

Brasil busca hidrogênio natural no subsolo para gerar energia

Pesquisadores e a Petrobras investigam depósitos de hidrogênio natural, ou hidrogênio branco, em pelo menos quatro estados brasileiros — uma fonte de energia limpa que ainda não tem marco regulatório específico.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Enquanto o mundo corre atrás de formas industriais de produzir hidrogênio limpo, um grupo de cientistas brasileiros está fazendo o caminho inverso: cavando o solo em busca de um gás que a própria Terra já produz sozinha, há milhões de anos, em bolsões subterrâneos. É o hidrogênio natural — também chamado de hidrogênio branco ou geológico —, apontado como uma possível nova frente na corrida por energia de baixo carbono, segundo reportagem do Olhar Digital.

O que está confirmado

Segundo a Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), já foram identificadas evidências de hidrogênio natural em pelo menos quatro estados: Ceará, Roraima, Tocantins e Minas Gerais. O monitoramento dessas áreas envolve empresas como a GEO4U e a Engie Brasil, com participação do cientista Alain Prinzhofer, professor da Universidade de Paris. A Petrobras também entrou na pesquisa, com um investimento de R$ 20 milhões em estudos sobre o tema, iniciados a partir de 2023. O gás se forma por um processo natural chamado serpentinização — reação espontânea entre água e minerais ricos em ferro no subsolo —, o que o diferencia dos combustíveis fósseis: ele se renova continuamente em escala geológica, em vez de ser um estoque finito.

A hipótese do potencial energético

Ainda não há números consolidados sobre o volume de hidrogênio natural existente especificamente no Brasil — a pesquisa está em fase de exploração e caracterização, não de produção comercial. Em escala global, porém, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estima que existam algo como 5,6 trilhões de toneladas métricas de hidrogênio geológico no subsolo do planeta. Mesmo que apenas uma fração pequena disso seja extraível, os pesquisadores da agência calculam que bastaria para abastecer a demanda mundial de hidrogênio por cerca de 200 anos — mais energia do que toda a reserva provada de gás natural existente hoje. No Mali, país africano, um poço descoberto no fim dos anos 1980 já fornece energia 100% limpa para uma vila local, servindo de referência prática pro que a tecnologia pode entregar em escala menor.

O obstáculo regulatório

O Brasil ainda não tem uma regra específica para autorizar a exploração comercial de hidrogênio natural — hoje, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) é a autoridade responsável por regular o setor de hidrogênio de baixo carbono no país, segundo a Lei 14.948/2024, mas as normas específicas para esse tipo de descoberta geológica ainda estão em construção. Enquanto isso não avança, a fase brasileira segue sendo de monitoramento e caracterização das áreas identificadas.

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