
Brasil deve esperar até 2027 por conexão direta da Starlink ao celular
A Starlink pediu à Anatel autorização para oferecer conexão direta de satélite ao celular no Brasil, mas resistência de operadoras e prazos regulatórios devem adiar o serviço para depois de 2027.
Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana
Pedido está nas mãos da Anatel
A Starlink, empresa de internet via satélite de Elon Musk, protocolou em fevereiro um pedido à Anatel para obter autorização de transferência da licença da banda S (2 GHz), adquirida da americana Echostar em 2025, e viabilizar o serviço "direct-to-cell" (D2D) no Brasil — tecnologia que permite conectar smartphones diretamente aos satélites, sem antena ou equipamento adicional. A agência abriu a Consulta Pública nº 29 para receber contribuições sobre uma possível reestruturação do direito de operação estrangeira da empresa, avaliando se a Starlink poderá usar apenas um bloco de 10+10 MHz na banda S.
Resistência das operadoras
Foto: reprodução/teletime.com.br
Operadoras como Vivo, Claro, Unifique e iez! telecom argumentam que os serviços D2D deveriam seguir os mesmos critérios aplicados às operadoras móveis tradicionais, alegando risco de desvantagem competitiva caso a Starlink obtenha acesso ao espectro por custos muito menores que os pagos pelas empresas terrestres. Parte do setor defende que o acesso ao espectro ocorra por meio de licitação, enquanto outros propõem que parcerias de D2D só sejam permitidas em conjunto com operadoras terrestres já estabelecidas no país. A GSMA, associação global da indústria móvel, também pede uma abordagem cautelosa, e a Huawei recomendou que o tema seja tratado com mais tempo pelos reguladores.
Prazo até 2027
Enquanto o debate regulatório avança, a expectativa é que o início efetivo das operações do serviço no Brasil não ocorra antes de 2027, ano em que a Conferência Mundial de Radiocomunicações também deve discutir padrões internacionais para tecnologias D2D, sob estudo da União Internacional de Telecomunicações (UIT). Em mercados onde o serviço já opera, o foco inicial costuma ser limitado a mensagens, localização e chamadas de emergência — recursos mais simples que uma conexão de internet completa.
O que está em jogo
Para o consumidor brasileiro, a demora significa que a promessa de eliminar áreas sem sinal de celular usando satélites ainda não tem data certa. Para as operadoras nacionais, o desfecho da consulta pública vai definir se terão de competir em pé de igualdade com uma tecnologia que dispensa investimento em torres terrestres — um dos temas mais sensíveis do setor de telecomunicações brasileiro neste momento.