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Ciência16 de set. de 2026, 15:16

Brasil testa paraquedas que deve trazer plataforma espacial de volta do mar

A Operação Potiguar 2, no Rio Grande do Norte, lançou o foguete VS-30 com a maior carga já enviada por esse veículo para validar o sistema de recuperação da Plataforma Suborbital de Microgravidade Recuperável.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: imagine um foguete do tamanho de um poste de luz de rua — cerca de 9 metros de comprimento, com pouco mais de meio metro de diâmetro — carregando uma carga de 401 kg até uma altitude que pode passar de 100 km, a fronteira convencional do espaço. Foi isso que aconteceu em 15 de setembro no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim, no Rio Grande do Norte, dentro da Operação Potiguar 2.

O que é confirmado

O foguete usado foi o VS-30 V16, veículo suborbital de um estágio só, movido a combustível sólido, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Ele pesa cerca de 1,6 tonelada e, segundo o IAE, carregou a maior e mais pesada carga já lançada por um VS-30: a Plataforma Suborbital de Microgravidade Recuperável (PSM-R), de 401 kg. A operação, conduzida pela Agência Espacial Brasileira (AEB), pelo próprio IAE e pela empresa Orbital Engenharia, está programada para durar do dia 31 de agosto ao dia 19 de setembro. A recuperação da plataforma depois do voo é feita por um sistema de paraquedas que a traz de volta ao Oceano Atlântico, onde equipes da Força Aérea Brasileira — o Esquadrão Falcão, da Base Aérea de Natal, e o grupo PARA-SAR — fazem o resgate com um helicóptero H-36 Caracal.

Foto: reprodução/defesanet.com.br

O que é hipótese e o que se busca provar

Simulações indicam apogeu (ponto mais alto do voo) perto de 150 km e alcance de cerca de 90 km, mas o número exato só se confirma com os dados coletados em voo. O objetivo central da missão não é a altitude em si, e sim testar, em condições reais, se o conjunto de recuperação — paraquedas, sistema de controle a gás frio e um mecanismo chamado "ioiô", que reduz a rotação da plataforma antes da separação da carga — funciona como planejado. Se validado, esse sistema deve viabilizar pesquisas futuras em microgravidade sem depender de lançamentos internacionais.

A bordo do foguete

A plataforma leva quatro experimentos: um estudo sobre efeitos da microgravidade em bactérias agrícolas (Bradyrhizobium e Azospirillum), uma análise de secretoma de células-tronco mesenquimais conduzida pela R-CRIO, uma plataforma educacional de física e matemática do SENAI CIMATEC, e testes de antena de telemetria para CubeSats feitos pela Tycho Space, startup brasileira do setor espacial. Também vão a bordo tecnologias do próprio IAE, como uma bateria de íon-lítio de alta densidade e um sistema de localização por LoRa desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

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