
Brasileiros levam jogo de um botão à Gamescom 2026 em busca de publisher
Circo de Pulgas, criado para pessoas com deficiência motora severa, foi o destaque do estúdio Caramelo Biônico na maior comitiva brasileira já vista na feira alemã. Entre 90 empresas mapeadas, quatro mostraram interesse real no projeto.
Por Théo Ramos · Repórter de Games
Um botão só, e um jogo pensado pra quem mais precisa
Se tem uma coisa que esse portal defende sempre é: acessibilidade não é luxo, é respeito com quem joga. E foi exatamente isso que a Caramelo Biônico, estúdio independente brasileiro criado por Roberto Spinelli (o Pena) e Vitor Moreira, foi mostrar na Gamescom 2026, em Colônia, na Alemanha. O jogo se chama Circo de Pulgas e tem uma proposta rara: toda a experiência roda em cima de um único botão.
Funciona assim — a pulga protagonista se movimenta sozinha pelo picadeiro, e o jogador só controla o salto. O pulo é que esse mesmo comando muda de função dependendo da situação: vira canhão, trapézio ou trampolim conforme a cena pede. Pensado pra pessoas com deficiência motora severa, o jogo foi desenvolvido em cerca de um mês, em parceria com a Colibri Interfaces, e durante os testes na feira os próprios criadores perceberam que a simplicidade também seduz jogador casual — às vezes a melhor ideia de acessibilidade é também a mais divertida pra todo mundo.
Foto: reprodução/olhardigital.com.br
Da baia vazia pra conversa com gente grande
A dupla nem tinha estande fechado: montaram uma instalação improvisada numa baia vazia da feira, e os organizadores deixaram o teste rolar até o fim do dia. Foi o primeiro grande teste internacional do protótipo, e serviu de validação antes mesmo de qualquer negociação começar.
E negociação é o nome do jogo. A Caramelo Biônico mapeou 90 empresas antes da viagem, filtrou pra 26 contatos com potencial real e conseguiu conversar com nove delas na feira — quatro demonstraram interesse concreto, incluindo uma plataforma de games com mais de 100 milhões de usuários. Nada fechado ainda, mas é o tipo de porta que um estúdio pequeno sonha em abrir. Os planos passam por expansão para mobile e Steam.
Brasil não foi sozinho, nem é novidade isolada
O estúdio não estava desacompanhado: a Gamescom 2026 teve a maior participação brasileira da história do evento, com estúdios como TinyTank Studio (My Girlfriend is a VAMP), Galactonautas (Bruce's Gym) e Dragonroll Studio (Final Flavor) também caçando contrato. A Dragonroll, por sinal, já tinha tentado a sorte na Gamescom 2022 sem sucesso e dessa vez mandou 40 pedidos de reunião, conseguindo seis encontros.
Vale lembrar: é bem diferente da cobertura do Gamescom Awards 2026, que premiou The Witcher 3 e Sega — aqui o assunto é outro, é o Brasil pequeno e independente batendo na porta do mercado internacional, um botão de cada vez.