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Mercado23 de set. de 2026, 20:56

Breakthrough Energy, de Bill Gates, aposta em 21 startups de energia

Fundo prevê alta de 3 vezes na demanda por eletricidade com a eletrificação da economia, e escolhe fusão nuclear, semicondutores e hidrogênio como apostas do sexto ciclo do Fellows.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Demanda de eletricidade deve triplicar — e data centers são só a ponta do iceberg

A Breakthrough Energy, fundo de investimento em energia limpa fundado pelo bilionário Bill Gates, anunciou a sexta turma do seu programa Fellows, com 21 startups em estágio inicial selecionadas para receber apoio financeiro e institucional. Segundo Eric Toone, sócio-gerente do fundo, "eletrificar tudo" implica um aumento de três vezes na demanda por eletricidade, e os data centers representam apenas um acréscimo de 10% frente a três décadas de consumo estagnado.

Fusão nuclear, chips e hidrogênio na carteira

Entre as apostas confirmadas estão a Borealis Fusion, que trabalha com fusão a próton-boro, e a StarWarden, focada em gestão térmica. Do lado de semicondutores, entraram a Bedrock Semiconductor, a K1 Semiconductor e a VariFlux, todas voltadas a ganhos de eficiência energética em chips e data centers. Já a AmHyTech e a Ammovolt Energy apostam em hidrogênio e amônia como vetores de transporte de energia — área que Toone descreve como o "canivete suíço" da energia, apesar de hoje ter capacidade instalada praticamente nula.

O grupo também inclui startups de mineração de recursos críticos no fundo do oceano, agricultura com sensoriamento de doenças em plantações e adaptação climática — sinal de que o fundo está reforçando apostas em resiliência diante do ritmo mais lento que o esperado na descarbonização global.

Quem ganha com a aposta

As 21 startups selecionadas ganham acesso a capital e à rede de relacionamento da Breakthrough Energy, um dos fundos mais influentes do setor climático globalmente. Para o mercado de energia, a escolha funciona como termômetro de para onde o capital de risco climático está migrando: menos foco isolado em data centers de IA, mais aposta em infraestrutura de eletrificação ampla. A nova safra também marca uma transição interna: é o primeiro ciclo anunciado desde a saída de Ashley Grosh, ex-líder do programa, com o diretor sênior Benjamin Gaddy assumindo interinamente o comando do Fellows.

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