
Brisanet leva 5G a 115 cidades do Centro-Oeste até o fim de 2026
Operadora cearense começou a operar telefonia móvel na região em julho e vai ativar 5G em 62 municípios de Goiás e 53 do Mato Grosso do Sul, priorizando cidades com até 30 mil habitantes.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
115 cidades, um novo nome no mercado móvel
São 115 municípios — 62 em Goiás e 53 no Mato Grosso do Sul — que vão ganhar cobertura móvel da Brisanet até o fim de 2026. A operadora cearense, até então conhecida como provedora regional de internet fixa no Nordeste, iniciou em julho suas operações de telefonia móvel no Centro-Oeste e agora acelera a instalação de antenas 5G na região.
De onde vem a obrigação
A expansão não é um gesto espontâneo de boa vontade corporativa: é o cumprimento de metas de cobertura assumidas no leilão de 5G da Anatel, realizado em 2021, quando a Brisanet arrematou o lote regional do Centro-Oeste por R$ 105 milhões. Diferentemente de Claro, TIM e Vivo — que operam em escala nacional —, a licença da Brisanet vale apenas para Nordeste e Centro-Oeste, o que explica por que a empresa aposta justamente nesses mercados para crescer. Recentemente, a operadora também arrematou lotes na faixa de 700 MHz, reforçando a posição na região.
Foco nas cidades pequenas
A estratégia da Brisanet mira municípios com até 30 mil habitantes, exatamente o tipo de praça que Vivo, Claro e TIM costumam deixar em segundo plano por retorno financeiro menor. Para viabilizar a operação, a empresa segue parcialmente o modelo já usado no Nordeste: constrói suas próprias torres — hoje são cerca de 2,5 mil estruturas — mas terceiriza o backbone de fibra, contratando com redundância fornecedores locais em vez de construir rede própria na região.
Quem ganha e quem perde
Quem ganha, em tese, são os moradores de cidades pequenas de Goiás e Mato Grosso do Sul, que passam a ter uma quarta opção de operadora móvel — hoje o mercado nacional de telefonia é dominado por Claro, Vivo e TIM, que juntas controlam mais de 98% da telefonia móvel do país após a saída da Oi. Para essas três gigantes, o avanço da Brisanet é mais simbólico do que ameaçador no curto prazo, mas sinaliza que o interior do Centro-Oeste, historicamente carente de concorrência, pode deixar de ser terreno exclusivo delas. Já para a Brisanet, a aposta é dobrar de tamanho geográfico sem abrir mão do modelo enxuto que a tornou competitiva no Nordeste — e a expansão deve gerar cerca de 100 empregos diretos em vendas, atendimento e suporte na nova região.
Atualização (13/08, 03:46): A Brisanet começou, em 26 de agosto, a vender chips de celular com acesso às redes 4G e 5G no Centro-Oeste, marcando o início efetivo da operação móvel da empresa fora do Nordeste. Segundo o Canaltech, a expansão soma um investimento de R$ 100 milhões na região e prevê encerrar 2026 com cobertura em 115 municípios, sendo 62 em Goiás e 53 em Mato Grosso do Sul.
A estratégia de entrada segue o mesmo modelo adotado no Nordeste, onde a operadora já reúne cerca de 1,1 milhão de clientes: priorizar cidades pequenas, com menos de 30 mil habitantes, antes da chegada de grandes concorrentes. A meta da companhia é levar a rede a todas as cidades do Nordeste e do Centro-Oeste até 2030, com possibilidade de antecipar esse objetivo para 2029.