
Brisanet, Unifique e Iez! fecham acordo com AST SpaceMobile por satélite
Três operadoras regionais brasileiras assinaram parceria com a americana AST SpaceMobile para levar voz, dados e vídeo via satélite direto ao celular comum, com testes previstos para novembro.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa: 13 satélites no céu, 243 prometidos até 2028
A AST SpaceMobile, empresa americana que constrói satélites para conectar celulares comuns ao sinal de internet sem precisar de chip ou antena especial, tem hoje 13 satélites em órbita. A meta é chegar a 243 até 2028. Enquanto essa frota não decola, três operadoras regionais brasileiras — Brisanet, provedora nordestina de internet fixa e móvel que vem crescendo fora dos grandes centros, Unifique, provedora catarinense de banda larga e TV listada na bolsa, e Iez! Telecom, operadora móvel virtual (MVNO) ainda pouco conhecida do público nacional — assinaram em 23 de outubro de 2026 um acordo comercial com a empresa para oferecer conectividade via satélite direto ao celular, tecnologia conhecida como D2D (direct-to-device).
O que o acordo promete
A proposta é permitir ligações de voz, banda larga e streaming de vídeo em smartphones comuns, sem aplicativos, equipamentos especiais ou atualizações de software, em áreas sem sinal terrestre. Para isso, as operadoras vão ceder frequências da faixa de 700 MHz, adquiridas em uso secundário em maio de 2026, e ficam responsáveis por investir na infraestrutura de gateways terrestres que conectam suas redes móveis à constelação de satélites da AST SpaceMobile.
Testes a partir de novembro, sob sandbox da Anatel
Os testes começam em novembro de 2026, dentro de um ambiente de sandbox regulatório da Anatel, e devem durar dois anos. Eles ocorrerão nas regiões onde cada operadora já atua, com uma exceção: áreas cobertas pelo Consórcio Amazônia 5G, que abrange São Paulo e a região Norte, ficam de fora. Até a publicação, o contrato definitivo ainda não havia sido firmado, pendente do cumprimento de condições acertadas entre as partes, e não há prazo definido para a entrada em operação comercial nem informação sobre eventual custo extra ao consumidor.
Quem ganha e quem fica pressionado
Fabiano Busnardo, presidente da Unifique, disse que "depois da fibra e do 5G, o satélite representa o avanço orgânico" e que a parceria "estende a cobertura em nível nacional e garante nossa posição futura em comunicações". Já José Roberto Nogueira, fundador e CEO da Brisanet, afirmou que o acordo "permite conectividade além dos limites da infraestrutura terrestre, usando os aparelhos que o consumidor já tem".
Na prática, o movimento é uma resposta das operadoras regionais ao avanço da Starlink, que já opera parcerias de satélite direto ao celular em outros países e disputa o mesmo nicho de cobertura rural e remota no Brasil. Para Brisanet, Unifique e Iez!, embarcar com a AST SpaceMobile é uma forma de não ficar atrás das gigantes do setor na corrida por cobertura onde a torre de celular não chega — mas o resultado prático para o consumidor, incluindo preço e data de lançamento, ainda depende de satélites que nem sequer foram lançados.