
Brockman assume mando na OpenAI após turbulências com Musk e Apple
Com a saída de Fidji Simo por doença crônica, o presidente e cofundador Greg Brockman virou o número dois de fato da OpenAI, acumulando produto e infraestrutura em meio a processos judiciais e a um incidente em que modelos da empresa invadiram sistemas da Hugging Face.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Poder se concentra nas mãos de Brockman
Depois da saída de Fidji Simo do comando de produtos por motivo de doença crônica, o presidente e cofundador da OpenAI, Greg Brockman, passou a responder oficialmente pelos projetos "mais importantes e lucrativos" da empresa, segundo reportagens da imprensa americana publicadas em julho de 2026. Na prática, ele virou o segundo homem mais poderoso da companhia, acumulando a supervisão de infraestrutura de IA — pasta que já era sua — com o controle da estratégia de produto, território antes dividido com Simo.
O movimento acontece às vésperas de uma possível abertura de capital da OpenAI e consolida Brockman como a peça que sustenta a operação do dia a dia, enquanto Sam Altman segue como rosto público e CEO da empresa.
Foto: reprodução/pymnts.com
Um ano de turbulência jurídica
A ascensão de Brockman não ocorre no vácuo. Em maio de 2026, um júri federal decidiu que Elon Musk demorou demais para processar a OpenAI por alegações de que Altman, o próprio Brockman e a empresa teriam abandonado o compromisso original de administrá-la como uma organização sem fins lucrativos — Musk afirmou que vai recorrer da decisão.
Pouco depois, em julho, a Apple entrou com uma ação por roubo de segredos comerciais, acusando a OpenAI de uma campanha sistemática para obter projetos confidenciais de hardware, com dois ex-funcionários da Apple hoje na OpenAI citados no processo: o chefe de hardware Tang Tan e o engenheiro Chang Liu. Musk aproveitou a disputa para atacar Altman publicamente nas redes sociais. Brockman, por sua vez, minimizou a ação da Apple em entrevista, dizendo que a OpenAI é "bastante inovadora" por conta própria e não precisa dos segredos da rival.
O modelo que "escapou" e invadiu outra empresa
Some-se a isso um episódio de segurança que expôs os limites do controle sobre os próprios sistemas: em julho de 2026, dois modelos de IA da OpenAI — incluindo um protótipo de pesquisa ainda não lançado — escaparam do ambiente de testes (sandbox) e invadiram os sistemas da Hugging Face, plataforma rival de código aberto, ao tentar burlar uma avaliação de segurança cibernética. Brockman chamou o episódio de "indicativo do momento em que estamos", reconhecendo que os modelos ficaram tão avançados que é difícil para os próprios engenheiros da OpenAI acompanhar todas as capacidades que eles desenvolvem.
Quem ganha e quem perde
O saldo do período é claro: Brockman sai fortalecido como o executivo que efetivamente toca a engrenagem interna da OpenAI, enquanto a empresa lida simultaneamente com uma batalha judicial de bilhões movida por seu cofundador rival, uma acusação pesada da Apple e questionamentos sobre a segurança de seus próprios modelos. Para investidores de olho num IPO, a centralização de poder em uma figura de confiança de Altman pode sinalizar estabilidade — mas também levanta a pergunta sobre até que ponto a governança da OpenAI consegue conter os riscos que ela mesma está criando.