
Bumble aceita ser vendida por US$ 1,3 bi após anos de queda
Após quedas sucessivas de receita e base de assinantes, a Bumble concorda em ser comprada pela holding de tecnologia Ithaca Holdings por US$ 1,3 bilhão, em acordo que paga US$ 6,05 por ação e marca o fim do capital aberto da empresa.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 1,3 bilhão pelo fim do capital aberto
US$ 1,3 bilhão é o valor que a Bumble, aplicativo de relacionamentos que ficou conhecido por deixar as mulheres darem o primeiro passo, aceitou para deixar de ser uma empresa de capital aberto. Pelo acordo anunciado nesta terça-feira (13/10), a Ithaca Holdings, holding de tecnologia descrita por seus próprios executivos como focada em negócios duradouros, vai pagar US$ 6,05 por ação da Classe A da Bumble, em transação totalmente em dinheiro. O valor representa um prêmio de cerca de 138% sobre o preço de fechamento da ação em 9 de outubro, antes de o mercado saber do negócio.
De IPO bilionário a venda com desconto
A conta ajuda a medir o tamanho da queda. A Bumble estreou na bolsa em 2021 avaliada em cerca de US$ 14 bilhões, hoje sai por menos de um décimo disso. Fundada em 2014 por Whitney Wolfe Herd, a empresa também controla os aplicativos Badoo e Fruitz. No segundo trimestre de 2026, a receita somou US$ 211 milhões, queda de 15,2% em relação ao ano anterior, enquanto a base de usuários pagantes caiu 16,4%, para cerca de 3,2 milhões. É o retrato de um negócio que vinha perdendo assinantes trimestre após trimestre.
Quem ganha e quem perde
Quem ganha, ao menos no discurso, é a própria Wolfe Herd, que permanece como CEO e vai dividir o comando com os co-CEOs da Ithaca Holdings, Ravi Gupta e John Hegeman, após o fechamento do negócio. Em comunicado, ela disse: "Em Ithaca, encontramos um parceiro que compartilha nossa visão, acredita em nossa missão voltada para mulheres e se compromete a investir no futuro da Bumble". A empresa manterá sede em Austin, com escritórios em Londres e Nova York, mas deixará de responder a acionistas de mercado aberto.
Quem perde é o modelo que sustentou o boom dos apps de namoro na última década. O setor enfrenta saturação do formato de deslizar perfis, com usuários mais jovens migrando para conexões presenciais e cobrando recursos baseados em inteligência artificial, pressão que também atinge rivais como o Match Group, dono do Tinder e também negociado em bolsa, hoje avaliado muito abaixo dos patamares de alguns anos atrás.
O que vem a seguir
A operação ainda depende de aprovações regulatórias e dos acionistas da Bumble, mas sinaliza uma onda de consolidação no setor: plataformas que não conseguem reverter a fuga de usuários pagantes tendem a sair da bolsa para tentar se reinventar fora da pressão trimestral do mercado.