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Ciência06 de nov. de 2026, 07:45

Buraco na camada de ozônio é o 7º maior em 48 anos, mas recuperação segue no rumo

Vórtice polar excepcionalmente forte e clima atípico inflaram o buraco de ozônio sobre a Antártida em 2026, mas NASA e NOAA garantem que a tendência de longo prazo continua de recuperação.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: em seu pico, o buraco na camada de ozônio sobre a Antártida em 2026 cobriu cerca de 27,1 milhões de km² — mais de duas vezes o território dos Estados Unidos. É uma área tão grande que caberiam dentro dela praticamente todos os países da América do Sul somados, com espaço de sobra.

O que foi confirmado

Segundo dados divulgados pela NASA (agência espacial dos Estados Unidos) e pela NOAA, a agência oceânica e atmosférica americana responsável pelo monitoramento climático do país, o buraco de ozônio de 2026 foi o sétimo maior já registrado desde o início das medições, em 1979 — portanto, o maior em uma década.

Foto: reprodução/noaa.gov

No período de pico da depleção, entre 7 de setembro e 13 de outubro, a área média do buraco foi de aproximadamente 25 milhões de km². O tamanho máximo veio em 18 de setembro, quando a extensão chegou a 27,1 milhões de km² — cerca de 90% do maior buraco já observado, registrado em 9 de setembro de 2000.

Os instrumentos usados para a medição incluem o satélite Aura, da NASA, e os satélites NOAA-20, NOAA-21 e Suomi NPP, estes últimos operados em conjunto pelas duas agências.

A concentração mínima de ozônio medida foi de 105 unidades Dobson, no dia 17 de outubro — nível preocupante, mas ainda distante do pior recorde histórico, de 92 unidades Dobson, em outubro de 2006.

O que é hipótese (ou explicação causal já bem estabelecida pelos cientistas)

De acordo com os cientistas da NASA e da NOAA, o crescimento do buraco neste ano foi puxado principalmente por um vórtice polar especialmente intenso. A explicação técnica: os sistemas meteorológicos de grande escala que normalmente sobem da atmosfera inferior e ajudam a romper o vórtice estiveram especialmente fracos em agosto e setembro, deixando os ventos que isolam o ar sobre o Polo Sul mais fortes e por mais tempo — o que criou uma área maior com condições ideais para a destruição de ozônio.

Ou seja: o fator determinante de 2026 foi meteorológico e sazonal, não um novo salto nas emissões de substâncias destruidoras da camada.

O estudo e a recuperação de longo prazo

Mesmo com o tamanho atípico este ano, pesquisadores como Paul Newman, da Universidade de Maryland e ex-líder da equipe de pesquisa de ozônio da NASA, e Stephen Montzka, da NOAA, afirmam que o monitoramento contínuo mostra a camada de ozônio no caminho da recuperação. A concentração de cloro na estratosfera já caiu cerca de um terço em relação aos níveis máximos registrados nos anos 1980.

A expectativa das agências é que a camada se recupere plenamente até a década de 2070, resultado atribuído ao controle de substâncias nocivas estabelecido pelo Protocolo de Montreal, de 1987.

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