tech & talk
Ciência19 de set. de 2026, 10:59

Buraco na camada de ozônio é um dos menores em décadas

Novo Boletim de Ozônio da OMM mostra que o buraco de 2025 foi o quarto ou quinto menor desde 1992, reforçando a recuperação gradual da camada que protege a Terra da radiação ultravioleta.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

Compartilhar

Pra escala humana

Imagine uma camada de proteção com apenas 3 milímetros de espessura se fosse comprimida em ozônio puro — é basicamente essa a fração fina da atmosfera que blinda a superfície da Terra do excesso de radiação ultravioleta. Pois essa camada, sobre a Antártida, voltou a mostrar sinais consistentes de recuperação: o buraco registrado em 2025 foi o quarto ou quinto menor desde 1992, segundo o novo Boletim de Ozônio divulgado em 16 de setembro pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU responsável por monitorar o clima e a atmosfera globalmente.

O que está confirmado

A divulgação coincidiu com o Dia Mundial do Ozônio e com os dez anos da Emenda de Kigali, tratado internacional de 2016 que reforçou o combate a gases nocivos à camada. Segundo dados da OMM, o déficit máximo de massa de ozônio em 2025 foi de 36,7 milhões de toneladas — mais de 25% menor que a média histórica de 1990 a 2010, que é de 50,1 milhões de toneladas. A área média do buraco, medida entre 7 de setembro e 13 de outubro, ficou em 18,7 milhões de km², a quinta menor do período em que o fenômeno passou a ser monitorado de forma severa, desde 1992. Esses números foram confirmados de forma independente pela NASA e pela agência americana de oceanos e atmosfera (NOAA), que classificaram 2025 como o 5º menor buraco desde 1992 e o 14º menor em 46 anos de registros, desde 1979 — 30% menor que o maior já medido, em 2006.

A hipótese da recuperação total

O motivo apontado por cientistas é o sucesso do Protocolo de Montreal, acordo de 1987 que eliminou mais de 99% da produção de substâncias destruidoras da camada de ozônio, como os CFCs usados antigamente em geladeiras e aerossóis. Segundo Stephen Montzka, cientista da NOAA, os níveis dessas substâncias na atmosfera caíram cerca de um terço desde o pico registrado em 2000. Mas a recuperação completa ainda é projeção, não fato consumado: segundo Celeste Saulo, secretária-geral da OMM, isso deve levar "várias décadas". Avaliações da própria OMM e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) apontam datas estimadas por região — a Antártida só deve voltar aos níveis de 1980 por volta de 2066, o Ártico em 2045 e o restante do planeta em 2040.

Por que isso importa

Além de barrar radiação ultravioleta — que aumentou até 20% em partes da Europa desde os anos 1990, segundo o boletim —, a recuperação da camada de ozônio tem efeito colateral positivo no clima: o Protocolo de Montreal, como um todo, já evitou cerca de 0,5°C de aquecimento global adicional.

camada de ozônioommprotocolo de montrealmeio ambienteclima
Compartilhar