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Mercado01 de nov. de 2026, 22:03

BYD avança na Bahia e quer comprar porto desativado da Ford

A montadora chinesa já investiu R$ 11 bilhões no complexo de Camaçari e agora negocia a compra do porto que a Ford abandonou em 2021, para virar hub de exportação para as Américas.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa

R$ 11 bilhões é o investimento que a BYD, montadora chinesa que é a maior fabricante mundial de veículos elétricos e híbridos, já colocou no complexo industrial de Camaçari (BA) — o antigo parque fabril que pertencia à Ford antes de a americana encerrar as operações no Brasil em 2021. Em coletiva na Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), em Salvador, nesta quinta-feira (29), a empresa detalhou os próximos passos: entre novembro e dezembro, começa a produzir veículos com etapas 100% nacionais, incluindo estamparia, soldagem e pintura.

Múltiplos que contam a história

O modelo símbolo dessa nacionalização será o Atto 2, híbrido plug-in vendido entre R$ 149.990 e R$ 166.660. A fábrica já produz cerca de 700 veículos por dia e emprega 9 mil pessoas diretamente — meta é chegar a 10 mil até o fim de 2026 e a 20 mil no longo prazo. O salário médio pago é de R$ 3,9 mil, 24% acima da média da indústria baiana, segundo o Observatório da Indústria da Fieb.

O porto como próxima peça

A novidade é o interesse formal da BYD em comprar o Terminal Portuário Privativo Miguel de Oliveira, em Candeias, a 35 km de Camaçari. Construído para escoar a produção da própria Ford, o porto ficou desativado desde a saída da montadora americana e hoje pertence ao governo da Bahia. Segundo o executivo Alexandre Baldy, representante da BYD no Brasil, a ideia é "construir uma operação integrada para atender diferentes mercados das Américas" — transformar Camaçari em polo de exportação regional, não só de produção para o mercado interno.

Quem ganha e quem perde

A Bahia ganha a chance de transformar o maior fracasso industrial recente do estado em vitrine de reindustrialização puxada por capital chinês, e trabalhadores da região ganham mais vagas com salários acima da média setorial. Do outro lado, a compra do porto, se confirmada, consolida a dependência da cadeia automotiva baiana a uma única montadora estrangeira. Ainda não há valor anunciado para a eventual compra do terminal, nem prazo definido para a negociação avançar.


Atualização (30/10, 19:00): Atualização (30/10/2026): a BYD confirmou que está na fase final das obras de sua fábrica em Camaçari (BA) para começar a produzir carros em ciclo completo — ou seja, 100% nacional, sem depender de kits importados (SKD/CKD) — até o final de 2026. A confirmação é de Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da companhia no Brasil, que afirmou que os complexos de estamparia, solda e pintura da planta já estão em fase de testes.

O primeiro modelo a sair da linha com esse DNA totalmente nacional deve ser o BYD Atto 2, SUV híbrido plug-in com tecnologia flex. Atualmente, a fábrica já produz cerca de 700 veículos por dia, somando modelos como Dolphin Mini, Song Pro, Atto 2 e King, e emprega 9 mil pessoas diretamente — número que a empresa espera levar a 10 mil ainda em 2026.

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