
BYD investe R$ 3 bi em Camaçari e antecipa Mako para atacar a Toro em 2026
A BYD confirmou que o Brasil será o primeiro país do mundo a produzir a picape Mako, com lançamento no último trimestre de 2026 na fábrica de Camaçari (BA). O aporte de R$ 3 bilhões em estamparia, soldagem e pintura mira direto no segmento hoje dominado pela Fiat Toro.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
R$ 3 bilhões é o número que define a aposta
A BYD vai investir R$ 3 bilhões para modernizar as áreas de pintura, soldagem e estamparia da fábrica de Camaçari, na Bahia, e produzir ali a Mako — sua nova picape intermediária híbrida plug-in. O dado, confirmado pela própria montadora chinesa, tem um detalhe que muda o tabuleiro: o Brasil será o primeiro país do mundo a fabricar o modelo, que chega ao mercado no último trimestre de 2026, entre outubro e novembro.
Não é um lançamento qualquer. É a primeira vez que a BYD escolhe o Brasil como base global de um produto novo, e não como mero destino de exportação. Isso reposiciona Camaçari — a antiga fábrica da Ford — como ativo estratégico dentro da rede industrial da chinesa, que já converteu a planta baiana em um dos motores de sua expansão nas Américas.
Foto: reprodução/cnnbrasil.com.br
A disputa que a Toro não escolheu ter
A Mako nasce para brigar diretamente com a Fiat Toro, hoje líder isolada do segmento de picapes intermediárias no Brasil, além de mirar rivais como Ram Rampage, Ford Maverick e VW Tukan. A proposta de valor é a tecnologia: enquanto a concorrência aposta em motores a combustão ou híbridos leves, a BYD chega com o sistema DM-i, híbrido plug-in flex, capaz de rodar em modo elétrico puro no uso urbano.
Foto: reprodução/car.blog.br
A versão de entrada usa motor 1.5 aspirado combinado a um propulsor elétrico, com bateria de 18,3 kWh e autonomia elétrica de 72 km segundo o Inmetro — tração dianteira. Já a versão topo de linha aposta em motor 1.5 turbo flex de 130 cv somado a dois motores elétricos, entregando 324 cv combinados e tração integral. A plataforma é baseada no Song Pro, com monobloco, suspensão traseira independente e preparo para reboque. Estimativas de mercado apontam preço inicial ao redor de R$ 220 mil, faixa que dialoga direto com as versões mais equipadas da Toro.
Quem ganha e quem perde
Quem ganha, no curto prazo, é a própria Camaçari: a fábrica saiu do zero para 100 mil veículos produzidos em nove meses de operação — iniciada em outubro de 2025 — e já roda a 20 mil unidades mensais, com meta de 25 mil até dezembro e 300 mil no ano. O aporte de R$ 3 bilhões em estamparia e pintura é o passo que faltava para elevar a capacidade a até 600 mil veículos por ano, projetando a planta baiana como polo exportador para a América Latina.
Quem sofre pressão é a Stellantis, dona da Toro e hoje dominante no segmento intermediário. A chegada de um rival com tecnologia híbrida plug-in de série — e produzido localmente, sem tarifa de importado — reduz a margem de manobra que a marca italiana tinha para defender preço e posicionamento. Resta saber se a Fiat vai responder com uma versão híbrida própria antes que a Mako chegue às concessionárias.