
BYD recolhe mais de 183 mil carros na China por defeito no pedal de freio
Campanha gratuita atinge modelos das linhas Qin e Tang fabricados entre 2014 e 2022, após regulador chinês identificar peça que pode trincar e manter luz de freio acesa indevidamente.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
183.211 carros, uma peça de poucos reais
A BYD, maior fabricante chinesa de veículos elétricos e híbridos e hoje uma das líderes mundiais do setor, abriu recall de 183.211 unidades na China por um defeito no batente do pedal de freio — peça simples, mas que pode trincar ou se soltar com o uso ao longo do tempo. A campanha foi determinada pela Administração Estatal para Regulamentação do Mercado (SAMR), o órgão regulador chinês equivalente a uma agência de defesa do consumidor e proteção de mercado.
O que trava não é o freio, é a luz
Foto: reprodução/cnevpost.com
Apesar do nome assustar, a frenagem em si não é comprometida: o problema é que a peça danificada pode manter as luzes de freio acesas mesmo sem o pedal pressionado, criando risco de confundir outros motoristas na via, que podem interpretar erroneamente que o carro está freando. É um defeito de sinalização com potencial de causar acidentes indiretos, não uma falha mecânica de frenagem.
Quem é afetado — e quem não é
A campanha cobre veículos das linhas Qin e Tang fabricados entre 2014 e 2022: são 142.895 unidades da família Tang (incluindo as versões Tang, Tang DM e Tang EV) e 40.316 unidades do Qin produzidas entre junho de 2014 e junho de 2019. O reparo é gratuito, feito por concessionárias autorizadas, com substituição do batente por uma peça aprimorada. A campanha está restrita ao mercado chinês — carros vendidos no Brasil e em outros países não fazem parte do recall.
O que isso diz sobre a expansão da BYD
O recall chega num momento em que a BYD segue em expansão agressiva fora da China, incluindo o Brasil, onde investe em fábrica própria e disputa mercado com montadoras tradicionais. Para uma empresa que cresce em volume de vendas globais mais rápido que praticamente qualquer rival, recalls em escala de centena de milhar de unidades tendem a se tornar mais frequentes simplesmente pela dimensão da frota em circulação — o teste real está em como a marca administra a percepção de qualidade enquanto amplia presença internacional. Neste caso específico, o fato de a falha ser em peça de baixo custo e o reparo ser rápido tende a limitar o dano reputacional, mas cada nova campanha de recall alimenta o debate sobre controle de qualidade em fabricantes chinesas que escalaram produção em ritmo acelerado.