
Cabos submarinos da Google e da Meta estão entre os mais vulneráveis no Pacífico
Um índice que mede risco de sabotagem a cabos submarinos trans-Pacífico colocou projetos da Google e da Meta entre os cinco mais vulneráveis, em meio a sinais de atividade de navios de pesquisa chineses perto dessa infraestrutura.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
Um novo índice de vulnerabilidade classificou cabos submarinos de internet que cruzam o Oceano Pacífico conforme o risco de sabotagem, e dois projetos ligados a gigantes de tecnologia dos EUA aparecem no topo da lista: o cabo TPU, da Google, em 3º lugar, e o ORCA, da Meta, em 5º lugar. Ambos ainda estão em fase de desenvolvimento.
O índice, batizado de Trans-Pacific Cable Gray Zone Vulnerability Index, foi elaborado em setembro pelo China Strategic Risks Institute a pedido da U.S.-China Economic and Security Review Commission, comissão do Congresso americano que avalia riscos econômicos e de segurança ligados à China. A classificação considera profundidade da água, tráfego marítimo, propriedade dos cabos, proximidade de áreas reivindicadas pela China e conexões com Taiwan.
Quem é afetado
Os cabos submarinos transportam a maior parte do tráfego de internet entre continentes, incluindo dados de empresas como Google e Meta (controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp). Um corte ou sabotagem nesses cabos pode afetar diretamente a velocidade e a disponibilidade de serviços on-line em larga escala.
As regiões de maior risco identificadas pelo relatório ficam perto de Taiwan, Japão e Filipinas — áreas de águas rasas, tráfego marítimo intenso e disputas territoriais com a China.
Um levantamento complementar do CSIS (Center for Strategic and International Studies, think tank americano de política externa e segurança), também citado nas apurações, analisou mais de 200 navios de pesquisa chineses entre 2020 e 2025 e identificou embarcações como o Xiang Yang Hong 06 e o Ke Xue com padrões de rota repetidos perto de cabos estrategicamente importantes — um comportamento associado a mapeamento do fundo do mar, e não a exploração mineral.
O que fazer agora
Não há, até o momento, evidência pública de sabotagem efetiva aos cabos citados — os relatórios tratam de risco e padrão de atividade suspeita, não de incidentes confirmados. Para usuários finais, não há ação prática recomendada; a resposta a esse tipo de risco cabe a governos e às empresas operadoras dos cabos, que podem reforçar monitoramento e redundância de rotas.
Ainda não está claro se Google e Meta vão alterar o traçado ou o cronograma dos cabos TPU e ORCA em resposta ao relatório.
Atualização (29/10, 15:45): Um novo levantamento do Center for Strategic and International Studies (CSIS), think tank americano, mostra que navios de pesquisa chineses passam, proporcionalmente, muito mais tempo perto de cabos submarinos críticos no Pacífico do que embarcações de quase 50 outras nações. Entre julho e outubro de 2024, um navio da frota chinesa Xiang Yang Hong permaneceu nas proximidades de três cabos que ligam os EUA à Austrália, Indonésia, Singapura e Guam, navegando em padrão de 'cortador de grama' — movimento associado a mapeamento do fundo do mar.
O relatório da USCC (Comissão de Revisão Econômica e de Segurança EUA-China) já havia colocado os cabos TPU, do Google, e ORCA, da Meta, entre os mais vulneráveis a sabotagem na região; agora o CSIS reforça o alerta descrevendo um 'padrão persistente de atividade em locais onde dados submarinos têm valor militar significativo'. Nenhuma das duas análises comprova ataque ou sabotagem em andamento — apenas padrões de exposição e de movimentação suspeita.