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Mercado11 de set. de 2026, 20:00

Quanto a Samsung lucra com a venda do novo iPhone?

A Apple fechou acordo exclusivo de três anos com a Samsung Display para as telas do iPhone Duo, pagando US$ 250 por painel. Quanto mais a rival vender, mais a fabricante sul-coreana de displays fatura.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 250 por tela, direto do bolso da Apple

A Apple vai pagar US$ 250 (cerca de R$ 1.275) por cada painel dobrável interno do iPhone Duo à Samsung Display. Some o painel de cobertura, orçado em US$ 80, e o chip A20 Pro, outros US$ 280, e dá para entender por que o aparelho deve custar até R$ 31 mil no Brasil. O acordo é exclusivo e vale três anos — ou seja, todo iPhone dobrável vendido nesse período passa, obrigatoriamente, pela linha de produção da concorrente sul-coreana.

Samsung Display não é Samsung Mobile

Foto: reprodução/macrumors.com

Vale separar as coisas: Samsung Display é a divisão de telas da Samsung, distinta da Samsung Mobile, que fabrica os celulares Galaxy que competem diretamente com o iPhone. É essa divisão de componentes — não a de smartphones — que embolsa o cheque da Apple.

Quem ganha com o dobrável da rival

O iPhone Duo é o primeiro aparelho do mercado a usar o novo material OLED M16 da Samsung Display, com ganhos de brilho, cor, vida útil e eficiência energética sobre as gerações anteriores — tanto na tela de cobertura quanto na interna, de 7,6 polegadas e até 3.000 nits de brilho. A Samsung Display já mira 30 mil painéis por mês até o segundo trimestre de 2026 para dar conta de uma estimativa inicial de 6 a 8 milhões de unidades do iPhone Duo, com previsão de a demanda triplicar até 2027.

O efeito na fatia de mercado é o dado mais revelador do negócio: a entrada no fornecimento do iPhone dobrável deve levar cerca de 40% de todos os painéis dobráveis produzidos pela Samsung Display, ajudando a elevar sua participação no mercado global de telas OLED dobráveis de patamares perto de 40% para mais de 70%. Para 2026, as projeções apontam a Samsung com 31% dos pedidos globais de telas para dobráveis, o próprio iPhone Fold puxando 29% e a Huawei com 24%.

A lição da cadeia de suprimentos

Apple e Samsung ainda não confirmaram oficialmente os números — a origem é um vazamento do leaker chinês Instant Digital, no Weibo. Mas o retrato que emerge é conhecido: na eletrônica de consumo, rivalidade de vitrine e dependência de fábrica são coisas distintas. A Samsung Mobile perde espaço para o iPhone Duo no varejo, mas a Samsung Display fatura por trás de cada unidade vendida pela concorrente. Quanto mais sucesso a Apple tiver com o dobrável, maior o cheque que cai na outra ponta da própria Samsung — um lembrete de que, em telas dobráveis, poucos players dominam a produção, e a Apple, pela primeira vez, entra nesse jogo como cliente, não como dona da cadeia.

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