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Gadgets09 de out. de 2026, 10:54

Cafeteira Wi-Fi da Keurig gera 1 TB de tráfego e quase derruba rede doméstica

Uma cafeteira inteligente Keurig K-Supreme SMART enviou mais de 1 TB de dados em dez dias e saturou o Wi-Fi da casa, segundo um profissional de TI que monitorava a rede dos pais. A fabricante atribui o caso a um bug, mas o episódio reacende a dúvida sobre a real utilidade de eletrodomésticos conectados.

Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets

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Uma cafeteira que "vazou" mais dado que muita gente usa por mês

Tem especificação que só vira problema quando o aparelho já está ligado na tomada — e na sua rede. Foi o que aconteceu com uma cafeteira Keurig, fabricante americana de máquinas de café por cápsula com modelos conectados, modelo K-Supreme SMART: em pouco mais de dez dias, ela gerou 1.008,45 GB de upload e 9,94 GB de download, segundo o relato de um profissional de TI identificado como Nomad, que monitora remotamente a rede doméstica dos pais dele.

O volume foi flagrado no painel de gerenciamento UniFi, da Ubiquiti, depois que os pais reclamaram de lentidão na internet. Ao investigar, Nomad descobriu que o tráfego vinha da cafeteira — e que ele sozinho era suficiente para saturar o ponto de acesso Wi-Fi da casa.

Da ficha técnica para o problema real

No papel, Wi-Fi em cafeteira promete conveniência: controlar a máquina pelo app, programar horários, receber alertas de cápsula. Na prática, segundo a apuração, a maior parte desse 1 TB nunca saiu da rede local — ou seja, não há indício de que os dados tenham sido enviados para servidores externos ou de que o aparelho tenha sido comprometido por malware. A hipótese mais provável, segundo o próprio usuário, é um bug no firmware ou na pilha de rede daquela unidade específica, que fez o dispositivo entrar em um looping de tráfego interno.

Ainda assim, o resultado prático foi o mesmo de um ataque: a rede doméstica ficou lenta, o ponto de acesso saturado, e a solução só veio depois que o usuário desligou a cafeteira, reiniciou o equipamento e o isolou em uma rede separada (VLAN). Depois disso, o comportamento anômalo não voltou.

O que se espera de um eletrodoméstico conectado

Uma cafeteira com Wi-Fi deveria, no limite, trocar poucos megabytes por dia — o suficiente para sincronizar status e receitas. Gerar o equivalente a dezenas de filmes em alta definição transmitidos diariamente é um comportamento que foge completamente do esperado para esse tipo de gadget, e escancara um problema recorrente da internet das coisas: fabricantes empilham conectividade em produtos simples sem necessariamente testar o que acontece quando algo dá errado.

No Brasil, onde planos de internet residencial costumam ter franquia de dados mais abertas, mas roteadores domésticos nem sempre aguentam tráfego interno pesado, um bug desse tipo tende a se manifestar como instabilidade geral na rede — Netflix travando, chamada de vídeo caindo, sem que o usuário comum tenha a menor pista de que o culpado é a cafeteira da cozinha.

Fica a pergunta de sempre: vale o preço e a praticidade desse tipo de gadget conectado no Brasil, se o preço de uma falha de software pode ser a sua internet inteira?

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