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MercadoIA16 de out. de 2026, 10:18

Cal AI faturou US$ 30 milhões com exército de influenciadores antes de ser vendido

App de contagem de calorias com IA criado por um adolescente usou centenas de parcerias pagas com influenciadores para crescer rápido e foi comprado pela MyFitness, dona do MyFitnessPal, em março.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 30 milhões em receita construídos por influenciadores, não por anúncio tradicional

Mais de US$ 30 milhões em receita em pouco menos de dois anos: esse foi o resultado do Cal AI, aplicativo de contagem de calorias por inteligência artificial fundado em 2024 por Zach Yadegari, que tinha 19 anos — e ainda estava no ensino médio — quando lançou o produto. O número por si só já chamaria atenção em qualquer startup de consumo, mas o que torna o caso notável é o caminho até ele: nenhuma campanha publicitária tradicional, e sim um exército de pequenos criadores de conteúdo pagos para divulgar o app para suas comunidades.

A estratégia: comunidades fechadas, não alcance massivo

Foto: reprodução/techcrunch.com

Yadegari montou uma operação de recrutamento rápido de influenciadores, negociando taxas com base em alcance garantido. A escolha deliberada foi mirar criadores com audiências pequenas, mas engajadas — e não necessariamente os maiores nomes. "Encontrar influenciadores que tinham comunidades muito apertadas foi a coisa mais importante para nós", resumiu o fundador. Parte da tática incluiu buscar estudantes universitários com pouco dinheiro, dispostos a aceitar pagamentos em espécie para divulgar o app — uma fatia de criadores geralmente fora do radar das agências tradicionais de marketing de influência. O resultado prático apareceu rápido: um único post de influenciador chegou a gerar cerca de mil novos usuários em dois dias.

A saída: comprado pela dona do MyFitnessPal

Em março, o Cal AI foi adquirido pela MyFitness, empresa por trás do MyFitnessPal, um dos aplicativos mais estabelecidos de rastreamento nutricional do mercado americano. O valor da transação não foi revelado. A aquisição consolida o movimento de concentração no setor de nutrição digital: em vez de competir diretamente com um concorrente viral entre a geração mais jovem, a MyFitnessPal optou por incorporá-lo.

Quem ganha e quem fica de fora

Para Yadegari, a vitória é dupla — validação financeira e de modelo de negócio, provando que startups de consumo construídas por adolescentes com orçamento de marketing pequeno, mas estratégia de nicho bem executada, conseguem competir com apps de nutrição mais tradicionais. Para a MyFitnessPal, a compra funciona como atalho para capturar um público mais jovem que a concorrente havia conquistado organicamente. Quem perde é o modelo de marketing de influenciadores de alto custo e alcance massivo: o caso do Cal AI reforça que comunidades pequenas e bem segmentadas podem gerar retorno superior a campanhas caras com grandes nomes.

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