
Califórnia manda startup parar lutas de robô contra humano em jaula
A Comissão Atlética da Califórnia enviou carta de cessar e desistir à REK após evento viral em São Francisco. Órgão alega falta de licença para promover combates envolvendo humanos.
Por Marcos Silva · Repórter de plantão
Comissão estadual age após vídeo com 8 milhões de visualizações
A California State Athletic Commission enviou carta de cessar e desistir à Robot Entertainment Kombat (REK), startup de São Francisco especializada em humanoides de combate controlados remotamente.
O documento, assinado em 30 de setembro, ordena que a empresa pare de promover ou patrocinar lutas envolvendo humanos sem autorização prévia do órgão regulador.
O que aconteceu na luta
Em 18 de setembro, a REK organizou o que chamou de primeira luta real entre humano e robô humanoide, em um evento na Van Ness, em São Francisco.
O youtuber Frankie LaPenna entrou numa jaula contra robôs da marca, entre eles unidades do modelo EngineAI T800 e um Unitree H2.
Cada robô é pilotado remotamente por um operador humano, usando óculos de realidade virtual ou controle, enquanto sistemas internos de IA ajudam a manter equilíbrio e postura durante os golpes.
O vídeo do confronto acumulou mais de 8 milhões de visualizações no YouTube em duas semanas.
A exigência da comissão
A carta da CSAC afirma que a REK promoveu uma luta de boxe ou artes marciais mistas envolvendo um humano no estado sem aprovação prévia da comissão.
O órgão classifica a conduta como contravenção e exige que a empresa interrompa qualquer novo evento até obter licença.
A comissão não questiona o confronto entre homem e máquina em si, mas a ausência de permissão formal e de garantias de segurança para o lutador humano.
A defesa da startup
Cix Liv, fundador da REK, divulgou a carta nas redes sociais e argumentou que a legislação californiana define competições como disputas entre duas ou mais pessoas.
Segundo ele, um robô teleoperado não se encaixaria nessa definição, o que exigiria mudança na lei para que a comissão tenha autoridade sobre esse tipo de evento.
A empresa não anunciou publicamente se vai suspender novos combates enquanto a disputa regulatória não se resolve.