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IA26 de ago. de 2026, 23:14

Campanha com xixi vira gancho para debate sobre água em data centers de IA

Ação publicitária da Liquid Death e da Garage Beer brinca com o uso de urina para resfriar data centers, mas escancara o consumo real de água por trás da infraestrutura de IA.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Uma piada com um fundo sério

A cervejaria Garage Beer, do ex-jogador de futebol americano Jason Kelce, e a marca de água engarrafada Liquid Death lançaram uma campanha publicitária chamando atenção — literalmente — para o xixi dos consumidores. No vídeo de 90 segundos, Kelce urina em um pote e explica, aos gritos, que data centers "precisam de água" para funcionar. A dupla foi além: lançou uma caneca de vidro batizada de "coletor de refrigerante para data center", que esgotou rápido.

É humor grosseiro, mas em bom português: a piada aponta para um gargalo real da infraestrutura de inteligência artificial.

Foto: reprodução/techcrunch.com

Por que resfriar servidor gasta tanta água

Cada consulta a um modelo de IA roda em processadores que esquentam muito mais rápido do que os data centers tradicionais aguentavam. Para evitar que os chips superaqueçam, boa parte das instalações usa torres de resfriamento evaporativo — o mesmo princípio do suor humano, só que em escala industrial. Segundo levantamentos citados pela imprensa americana, um único data center pode consumir até 5 milhões de galões de água por dia, o equivalente a cerca de 19 milhões de litros.

O Google, por exemplo, relatou consumo de 41,3 bilhões de litros de água em 2025 no conjunto de suas operações. Uma instalação isolada da empresa em Council Bluffs, no Iowa, usou 3,8 bilhões de litros só em 2024.

Foto: reprodução/datacenterdynamics.com

As soluções existem, mas custam caro

Nem tudo é irreversível. A Microsoft investiu US$ 31 milhões e mais de dez anos de trâmites regulatórios para viabilizar um projeto em Quincy, no estado de Washington, capaz de economizar 522 milhões de litros de água potável por ano usando água de reúso tratada no lugar da água encanada. O problema é replicar esse modelo em escala: esbarra em licenças ambientais, infraestrutura de saneamento local e, claro, orçamento.

Os dois lados da piada

Do lado das empresas de tecnologia, o argumento é que a demanda por água cresce junto com a demanda por IA, mas que soluções de reúso e resfriamento a ar já reduzem o impacto. Do lado dos ativistas — e agora das marcas que fazem graça com o tema —, a cobrança é por transparência: quanto cada data center realmente consome, e quem paga a conta quando a água escasseia na região.

A campanha da Liquid Death não resolve nada sozinha. Mas fez uma pergunta incômoda circular fora das salas de sustentabilidade corporativa: será que a fatura de água da era da IA está sendo dividida de forma justa?

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