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IA23 de set. de 2026, 20:58

Canadá processa OpenAI e pede pagamento por nova escola após tiroteio

O governo de British Columbia entrou com ação contra a OpenAI e Sam Altman na Justiça americana, pedindo indenização e o histórico de conversas da atiradora de Tumbler Ridge com o ChatGPT.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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O governo da província canadense de British Columbia moveu uma ação judicial contra a OpenAI, empresa por trás do ChatGPT, e contra seu executivo-chefe, Sam Altman. O processo foi protocolado na Justiça Federal de San Francisco, nos Estados Unidos, e pede que a empresa pague pela reconstrução de uma escola em Tumbler Ridge, cidade onde ocorreu um tiroteio em fevereiro deste ano. O prédio original foi demolido depois do ataque.

O que motivou a ação

Segundo o processo, a atiradora, Jesse Van Rootselaar, de 18 anos, ex-aluna da escola, teve conversas sobre violência armada sinalizadas pela própria equipe de segurança da OpenAI já em junho de 2025 — meses antes do ataque de fevereiro. A alegação central é que a empresa identificou o risco internamente, mas não avisou a polícia. Em bom português: o processo não discute se a IA "convenceu" alguém a cometer um crime, mas se a empresa, ao perceber um sinal de alerta grave, tinha o dever de agir e não agiu.

Os dois lados da história

De um lado, a província argumenta que a OpenAI projetou um produto inseguro e foi negligente ao não alertar as autoridades sobre conversas que indicavam risco concreto — e chegou a recusar, segundo a procuradora-geral de British Columbia, Niki Sharma, entregar o histórico completo de conversas da atiradora quando solicitado.

Do outro lado, a OpenAI já pediu à Justiça americana que rejeite dezenas de ações movidas por vítimas e familiares ligadas ao mesmo caso, alegando que não houve negligência que justifique responsabilizar a empresa pelo crime. É aqui que mora o debate jurídico de fundo: até que ponto uma empresa de tecnologia responde por uma tragédia cometida por um usuário, e até que ponto isso seria atribuir à ferramenta uma culpa que pertence só a quem a usou.

O que o processo pede

Além do custo da nova escola, a ação busca indenização por gastos passados e futuros com resposta emergencial e recuperação da comunidade, o histórico de conversas do atirador com o ChatGPT, e uma ordem judicial obrigando a OpenAI a mudar como identifica e trata conversas que sinalizem risco de violência.

O que ainda falta responder

A Justiça americana ainda não decidiu se aceita os pedidos de dispensa das ações movidas pela OpenAI, nem se vai determinar a entrega dos registros de conversa. Também não está definido se um tribunal dos EUA vai considerar um governo estrangeiro parte legítima para cobrar indenização por um ataque ocorrido em outro país.

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