
Cão-robô chinês custa US$ 4 mil e expõe limite prático da Unitree
Jornalista que testou o Go2 Pro por um mês diz que o robô chama atenção nas ruas, mas admite: fora os truques, "honestamente, não serve para muita coisa".
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
Doze motores e um preço de US$ 4 mil
O jornalista americano Timothy B. Lee pagou US$ 4.017 por um Unitree Go2 Pro importado da China — quase o triplo do preço de tabela da versão mais simples da linha, de US$ 1.600 — e passou um mês testando o cão-robô em casa e em trilhas. O relato, publicado no site Understanding AI e replicado pela Ars Technica, resume o veredito em uma frase: fora impressionar quem passa na rua, o robô "honestamente, não serve para muita coisa".
A Unitree, fabricante chinesa de robótica fundada em 2016 em Hangzhou por Wang Xingxing, é descrita no relato como possivelmente "a empresa de robótica mais importante do mundo" — um título que a companhia reforçou em agosto, quando fez seu IPO na bolsa de Xangai e viu as ações dispararem cerca de 460% no primeiro pregão, elevando sua avaliação de mercado para perto de US$ 66 bilhões, superando gigantes chinesas como Baidu e JD.com.
Da geração anterior ao Go2 Pro
O Go2 é a quarta geração de quadrúpedes da empresa, sucedendo o Laikago (2017), o AlienGo (2019) e o Go1 (2021, a partir de US$ 2.700). Tecnicamente, o robô tem 12 motores — três por perna —, sensor lidar embutido no "nariz" e faz manobras como parada de mão e saltos. Na prática, o teste mostrou os limites: percorreu cerca de 3,2 km numa descida antes de a bateria acabar, chegou a 84°C de temperatura sob sol forte e desligou abruptamente com 5% de carga em terreno acidentado, a poucos metros de casa.
Vale o preço no Brasil?
A resposta curta é: nem chega a valer, porque não há venda oficial da Unitree no Brasil ou na América Latina. Quem quiser importar um Go2 paga frete, impostos de importação e o risco de um produto sem suporte local — exatamente o que inflou o preço final do jornalista americano. Some-se a isso a ausência de aplicação prática real hoje: sem braços ou mãos, o cão-robô não substitui nenhuma tarefa doméstica, e os recursos vistos em vídeos de lançamento, como seguir o dono ou subir escadas sozinho, ainda dependem de um aplicativo com bugs.
O que sustenta o valor de mercado da Unitree não é o cão de estimação high-tech, e sim a linha de humanoides: a receita com robôs humanoides saltou de US$ 16 milhões para US$ 129 milhões entre 2024 e 2025, já respondendo por mais da metade do faturamento da empresa.